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Olímpio Júlio de Oliveira Mourão (I86)
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Dados Pessoais e Detalhes
| Nascimento | 8 Março 1857 27 37 Diamantina, MG |
| Batizado | 14 Outubro 1857 (Idade 7 meses) Diamantina, MG
Detalhes da Citação: Caixa 296 (1856-1873) Lv. 1856-1870 fl. 7 Texto da Fonte: Naceu Olimpio filho legitimo de João Raimundo Mourão e de sua mulher Dona Bernardina Flora de Azeredo Coi- tinho a 8 de Março de 1857 Baptizado solemnemente a 14 de outubro do mesmo anno pelo Reverendissimo Monsenhor João Floriano dos Santos Correia e Sá Forão Padrinhos José Rodrigues Duarte e Dona Mar- garida Augusta de Azeredo Coutinho. E para constar se lavra o prezente assento por ordem de sua Excellencia Reverendissimo Senhor Bispo. |
| Casamento | 3 Fevereiro 1877 (Idade 19) Mariana Corrêa Rabelo - Diamantina, MG
Detalhes da Citação: Caixa 335 (1865-1890) Lv. 1865-1890 fl. Avulsa Texto da Fonte: Aos tres de Fevereiro de mil oitocentos e seten- ta e sete o Pe. Julio Augusto de Almeida recebeu em matrimonio os contrahentes Olympio Julio Mourão e Marianna Correia Rabello. Foram testemunhas Pedro Maria Brandão e Francisco Correia Rabello Mons. João [ilegível] de Sousa |
| Nomeação Promotor Público | 1888 (Idade 31) Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 1888 - gaveta 04 - maço 72 - no. 31 - fl. 3 Texto da Fonte: Promotor público - Para occupar este cargo n'esta comarca, foi nomeado o nosso particular e distincto amigo, o Sr. Olympio Julio de Oliveira Mourão, a quem com effusão felicitamos por tão accertado acto do governo. |
| Ocupação | 1895 (Idade 38) Contador Diamantina, MG Instituição/Empresa: Correios
Detalhes da Citação: 1895 - gaveta 02 - maço 31 - no. 38 fl. 3 Texto da Fonte: O nosso intelligente conterraneo, ex-redactor desta folha, o actual contador da Sub-administração dos correios desta cidade, Olympio Julho de Oliveira Mourão, organisou um mappa postal das agencias subordinadas a este centro, resolvendo assim, com um trabalho paciente, difficuldades multiplas que sempre entravão o expediente do serviço das linhas, de tanta importancia para o bom andamento dos negocios publicos A carta organisada sob a escala de 1:1500000 desdobra nitidamente a vasta zona do districto postal que representa, mencionando, sem falta de um só, todos os logares de agencias, inclusive muitos que não constão das melhores e mais modernas cartas do Estado. Unica em seu genero, a carta do Snr. Olympio Mourão, veio por em relevo a necessidade de organização de um mappa postal geral do Estado para servir de base a melhoramentos do serviço organizal-o mais commoda e economicamente, fazendo-se enfim, correções indisponsaveis na actual divisão, que, como mostra a bella carta presente á nossa vista se rescente de grandes inconvenientes nascidos da imperfeição das cartas geographicas de Minas, em toda sua porção Norte. O Snr. contador Olympio Mourão, queira aceitar nestas linhas os nosso sinceros parabens pelo bonito serviço que acaba de fazer, prestando um grande favor a seu Estado, com sobeja intelligencia, posto que, apenas hontem, tenha assumido a posição qeu tão digna e brilhantemente occupa. |
| Candidatura | 15 Novembro 1896 (Idade 39) Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 1896 - gaveta 02 - maço 34 - no. 89 fl. 2 Texto da Fonte: Na eleição a que se vao proceder a 15 de novembro próximo futuro para preenchimentod as vagas existentes de um Senador ao congresso mineiro, de Agente Executivo Municipal e de dois Vereadores pelos districtos desta cidade, e de N. Sra. da Glória, são candidatos apresentados pelo Partido republicano constitucional os seguintes srs. para Agente Executivo Municipal Olympio Julio de Oliveira Mourao; para vereador pelo districto da cidade Alcides da Silveira Horta e para vereador pelo districto de N. Sra. da Gloria Hilario Sebastião de Figueiredo. |
| Eleição | 15 Novembro 1896 (Idade 39) Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 1896 - gaveta 02 - maço 34 - no. 92 fl. 2 Texto da Fonte: Resultado da eleição a que se procedeu a 15 do corrente [...] Resumo do resultado conhecido, faltando vários districtos: Olympio Mourão.....955 Theodoro Passos........8 Dr. Pedro Matta.........1 Coronel Vieira............1 Para Senador Resultados dos districtos supra: Dr. Bernardino de Lima............... 395 Dr. Theodomiro Alves Pereira..... 145 Dr. Alvaro da Matta Machado .... 25 Dr. Thomas Brandão.....................14 e outros menos votados |
| Eleição | 15 Março 1898 (Idade 41) Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 15/03/1898 - gaveta 02 - maço 37 - no. 150 fl. 3 Texto da Fonte: Lê-se no nosso collega "Cidade de Salinas" de 10 de fevereiro findo: "Olympio Júlio de Oliveira Mourão" Este illustre cidadão acaba de ser investido, pela segunda vez, do alto cargo de chefe do governo do adiantado município de Diamantina. É mais uma prova de elevadissima à sublimidade do seu caracter honesto e patriotico. |
| Candidatura | 17 Setembro 1898 (Idade 41) Diamantina
Detalhes da Citação: 1898 - gaveta 02 - maço 39 - no. 174 fl. 1 Texto da Fonte: Sob os applausos do eleitorado deste e de outros municipios deste 6o. districto eleitoral, foi levantada a candidatura de nosso conterraneo Olympio Julio de Oliveira Mourão, ao logar de deputado do congresso mineiro, na vaga aberta pelo inesperadopassamento de mui illustre deputado Cel. José Felizardo Frankfort de Abreu Bicalho. Pensamos nós: os amigos politicos de Olympio Mourão que acabam de levantar a sua candidatura duplamente se inspiram com nobreza, servindo a causa publica por um lado, e homenageando por os inolvidaveis serviços qeu esse ilustre diamantinense tem prestado a esta zona querida da bella Patria Mineira. De facto, proclamada a Republica, para não falar em serviços anteriores, elle, leal e desinteressadamente collocou-se ao lado do direito triumphante, que vinha de emancipar o povo da escravidão social, arregimentando, com o auxílio de leais amigos, os bons elementos que mais tarde consituiram o glorioso partido constitucional, e organizando as leis básicas de seu civilizado municipio, de accordo com a liberina constituição de nosso estado. Este seu trabalho foi tão completo que a primeira munipalidade, incumbida de discutir, votar e promulgar essas leis cardeaes, poucas emendas apresentou aos projectos submettidos á sua consideração, concluindo a sua obra em pouco tempo, com gaudio de outros municipios que della de aproveitaram para em seus moldes vasarem as suas respectivas constituições Veio, logo após, a necessidade da regulamentação e applicação dessas mesmas leis, e o seu serviço desinteressado e intelligente se offereceu de novo espontaneo e liberal para resolver todas quantas difficuldades poderiam surgir, procurando estorvar o funcionamento do mecanismo em bôa hora archithetado por mão de mestre. Olympio Mourão é dessa raça privilegiada circunscripta em número - dos trabalhadores invenciveis na lucta da vida e na resolução dos árduos problemas do trabalho público. Sob o influxo salutar dessa excepcionalidade de temperamenteo, elle tem trabalhado no magisterio, na advocacia, na imprensa e na burocracia. Quando professor da Escola Normal desta cidade, no pequeno período de seu magistério, mostrou subida intelligência e pronunciada vocação, abandonando a carreira, porque outros deveres solicitavam a sua reconhecida actividade. Na qualidade de advogado, todos os conhecemos; sua longa pratica de föro; os conhecimentos que possue armazenados em seu cerebro accessível á complexidade da sciencia de direito; o cuidado meticuloso com que sempre zela as causas sob sua guarda e patronato; a intelligencia perspicaz que o põe a salvo nos assaltos de difficuldades supervenientes; tudo isso pesa e pesa muito para dar-lhe logar distincto entre seus pares, entregues a essa mesma nobilissima profissão, que de certo teria feito delle um opulento, se não fossem as condições precarias de nosso föro acossado igualmente pela crise entorpecedora que paralisa nosso progresso. No campo ruidoso do jornalismo, salienta-se sempre com muito sucesso, graças à seu critério seguro: denuncia-se sempre que escreve, em seus substanciosos artigos sobre questões de actualidade: trahe-se nas satyras mellifluas, promptas e leves, de notas ligeiras, sempre que procura moralisar com uma critica que em nada dóe distingue-se, finalmente, sempre e sempre pelo cerrado da logica, pela correcção da linguagem, pela scintillação do pensamento, despido desse gongorismo pedantesco dos vasios de idéas. Como empregado público, elle se impõe cheio das mesmas virtudes, já apontadas em seu genio entregando-se ao trabalho com soffreguidão invejável, expedido, correcto, captando a estima e admiração de seus chefes hyerarchicos, como ainda ha pouco se vio dos elogios que lhe foram tecidos em portarias baixadas da Administração e Sub-Administração dos Correiso deste Estado e desta cidade, impressos e lidos, com jutso assentimentos de todos, neste agam de imprensa local. Vê-se que elle se reveste de todos os requisitos do home publico desejado e procurado e que, em mpolítica, tanto como os mais dignos poderá com o brilho e nomeada, exercer o importante e diffícil ministerio de representante da soberania popular. Em suas mãos estão, pois, todos os instrumentos para que elle possa trabalhar em prol dos interesses sociaes deste 6o. districto de circunscripção eleitoral. Talento a fartar como mostra o exercicio intelligente de variadas e multiplas funcões; maneiras suggestivas, tino e humor para se impor e conservar a confiança de seus collegas de deputação; erudição pouco vulgar, dedicação e inflexibilidade para gitar ideias e traduzi-las em realidade para o Norte; colloca-se destarrte, no plano que convem a um eleitorado intelligente e zeloso de suas prerogativas, que quer, e não pode deixar de querer, para seus representantes, quem siaba, quem trabalhe, quem lucte e quem vença. Estamos certos que o brioso eleitorado do districto receberá com aplausos as nossas palavras, cobrindo de suffragios unanimes o nome de Olympio Julio de Oliveira Mourão, digno extremo de exercer o mandato que os amigos aspiram entregal-o Sebastião de Andrade Antonio Duarte Mandacarú Catão Júnior Arthur Queiroga |
| Posse | 15 Junho 1899 (Idade 42) Bello Horizonte, MG
Detalhes da Citação: 5/6/1899 - maço 41 - no. 200 - fl. 2 Texto da Fonte: No dia 27 do p. passado seguio viagem em demanda de Bello Horizonte, este nosso distintissimo conterraneo que levou em sua companhia a sua gentil filha d. Maria Mercedes Corrêa Mourão, redactora chefe do interessante jornalzinho, saido a pouco àluz nesta cidade com o título de "Esperança". O nosso ilustrado patricio, deputado estadual eleito neste districto, com tanta gloria e lustre para seu nome, como mostra a brilhante votação com que foi distinguido, vai tomar assento no congresso do estado, a installar-se no dia 15 do corrente meza pós sessões preparatórias que começarão no dia 5. A pontualidade com que nosso ilustre representante acorde aos trabalhos legislativos , põe em evidência o conceito por nós exarado muitas vezes sobre o seu temperamento, isto é, sua capacidade, nunca desmedida, para enfrentar o dever e cumpri-lo com o máximo escrupulo, com todo o talento e aptidão. É tão sério esse nosso juízo a seu respeito, e tão isento está elle das paixões partidarias que, fazemos votos para que, sob sua responsabilidade, caião trabalhos de peso que proporcionem-lhe um terreno de expansão do seu mérito. Pode ser orgulho, mas é orgulho legitimo e louvavel nosso affirmarmos que o advogado Olympio Mourão é uma das glórias da intelectualidade modesta de nossa terra e que, pelos seus títulos civicos, está a par da digna representação do nosso Estado. Em o nosso conterraneo enviamos ao congresso, não um ocioso politico, impa[apagado] de sua delegação, mas um advogado de nossos interesses - de energica vontade, moderado no querer, sem de leve alimentar-se do espirito hostil que tudo desconcerta e desorganiza nas crises dos estados. Além disso leva mais a estima de seus conterraneos que porfiavam em exprimir-lhe a sua confiança até o dia de sua viagem, acompanhando-o fóra das ruas da cidade mais de 450 cavalheiros entre os quaes se viam leaes adversarios, reconhecedores de seu verdadeiro merito, e muitas exmas. senhoras - dilectas amigas de sua intelligente filha. Bons vento sconduzam o illustre diamantinense à bella cidade de Minas |
| Nomeação | 23 Junho 1899 (Idade 42) Belo Horizonte, MG
Detalhes da Citação: 23/06/1899 - maço 41 - no. 202 - fl. 3 Texto da Fonte: Foi escolhido membro da 1ª commissão verificadora de poderes, na camara dos deputados do estado, o nosso illustre conterraneo Olympio Mourão. A commissão elegeu-o presidente, e nesse caracter o illustrado deputado tem encontrado opportunidade para por em evidência o seu espírito operoso e intelligente. Em defesa de seus actos, tem occupado a tribuna por diversas vezes fazendo sentir os effeitos de sua palavra convincente e reflectida. Folgamos registrar aqui que se vão confirmando plenamente os conceitos por nós emittidos sobre o merito de nosso digno representante. |
| Nomeação | 1 Outubro 1902 (Idade 45) Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 4/10/1902 - maço 49 - no. 290 - fl. 2 Texto da Fonte: Em data de 1º deste, assumiu o exercício de presidente da câmara e agente executivo municipal, o advogado Olympio Júlio de Oliveira Mourão. |
| Falecimento | 5 Setembro 1933 (Idade 76) Belo Horizonte, MG |
| Identificador Universal | 4E22176239F1D411940B9CFD99F1B55BCA84 |
| Atualizado em | 7 Janeiro 2008 - 22:54:56 Última Alteração por: virgilio |
Notas
Fontes
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A Voz do Povo Periódico Detalhes da Citação: 24/08/1884 - gaveta 6 - maço 95 - no. 46 fl. 01 Dados Texto da Fonte: Club Abolicionista Em virtude desse convite, que abaixo publicamos, reuniu-se no paço da camara municipal desta cidade, no dia 15 do corrente mez, grande número de eleitores e elegeu a directoria que ficou assim composta: Presidente: Dr. Francisco Corrêa F. Rabello 1° vice presidente: Dr. Bento Bittencourt Berenguer Cezar 2° vice presidente: Major Mel. Cezar P. da Silva 1° Secretário - Olympio Julio de Oliveira Mourão 2° Secretário - Arthur Napoleão A. Pereira 1° Orador - Dr. Theodomiro [rasgado] 2° Orador - Dr. Antônio Thomaz [rasgado] Thezoureiro - Manoel Procópio Ribeiro Leão Comissão de redação dos Estatutos do Club: João Raymundo Mourão Sebastião Corrêa Rabello José Sebastião Rodrigues Bago Ilm. sr. Os abaixo assignados, em virtude de liberação tomada em uma reunião no Paço da Câmara desta Cidade, tendo de installar um Club Abolicionista, e acreditando encontrar em V. S. um nobre adepto da emancipação dos escravos em nossas Pátria, o convidão para uma reunião no dia 15 do corrente ao meio dia na casa da Camara. O fim desta reunião é a eleição da meza do Club, da comissão que hade organisar os estatutos, e a deliberação sobre a installação solemne e festiva do Club que terá lugar no dia 7 de Setembro p. futuro. Actualmente terá em vista o mesmo Club auxiliar por todos os meios justos e pacíficos o Governo actual, ou qualquer Governo, que possa converter em lei o projeto que ultimamente foi apresentado à Câmara dissolvida. Esperão os abaixo assignados encontrar em V.S. todo apoio para tão nobre intento, e a prova delle será a aquiescencia a este convite. Com toda estima e consideração, subscrevemo-nos - De V.S. Concidadãos e amigos. Aurélio A. Pires de Figueiredo Camargo Francisco Corrêa Ferreira Rabello Bento de Bettencourt B. Cezar Theodomiro Alves Pereira Joaquim J. Pedro Lessa Antonio Thomaz de Godoy José Sebastião Rodrigues Bago Genesco Achilles Alves Pereira Manoel Cezar P. da Silva Manoel Procopio R. Leão Gustavo Soares de Vasconcellos Lessa Camillo Candido de Lellis Americo Diamantino Costa França José Joaquim Netto Amarante Francisco Leite de Faria Claudio Augusto Ribeiro de Almeida Gasparino José de Vasconcellos Brandão Antonio Leão Monteiro de Moura Augusto Alves de Campos Nelson João Raymundo Mourão Olympio Júlio de Oliveira Mourão |
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A Saga dos Mourão (Edição do Autor ) Dados Texto da Fonte: Advogado formado em Ouro Preto, foi o herdeiro político de seu velho pai, vindo a substituí-lo na Presidência do Partido Conservador e no Executivo Municipal. Foi eleito agente executivo municipal em 15/11/1896 e depois deputado estadual, numa eleição em que disputou com seu parente e amigo, Pedro da Matta Machado. O resultado foi : Olympio Júlio Mourão ..... 27.000 Pedro da Matta Machado 6.000 No governo Silviano Brandão, foi convidado para deputado federal, tendo recusado. Mais tarde, foi eleito Senador Estadual e reeleito por diversos períodos até sua morte. Foi eleito pela Assembleia 1º Secretário do Senado e Vice Presidente, assumindo a Presidência com o afastamento de Olegário Maciel, quando este foi Governador de Minas. Foi o Presidente do P.R.M em Diamantina. Na Revolução de 1930, apoiou Washington Luís e os Presidentes Bernardes e Wenceslau Brás. Com o fechamento do Senado Mineiro pelo Ditador Getúlio Vargas, retirou-se da vida pública , vindo a adoecer de traumatismo moral, falecendo uma hora antes de Olegário Maciel, seu conterrâneo e adversário político. Seu prestígio de maior chefe político do Norte de Minas durante 30 anos assume grande realce por não ter sido favorecido pela fortuna, em contraposição aos seus conterrâneos Conselheiro Matta Machado e Senador Joaquim Felício dos Santos, que, apesar de grandes financistas, nunca o superaram na política estadual. O Presidente Francisco Salles também tentou diminuir sua força política, indicando o Dr. Bernardo Pinto Monteiro para Deputado Federal, à revelia do Senador. Olympio Júlio Mourão então indicou para concorrer ao cargo o Dr. Telles de Menezes, que ganhou com uma diferença de 10.000 votos. A sua casa era a taba política onde se reuniam os Srs. Manoel Fulgêncio, Manoel Alves da Silva, Zeca Bento, Ignácio Murta, Edgard Cunha Pereira. Foi fundador do clube abolicionista 21 de Abril, clube de cunho abolicionista que funcionava em sua própria casa. Parece que Olympio Júlio Mourão se esforçou para manter o Morgado da família, combinando a advocacia com a atividade política. Construiu uma sólida carreira política, que certamente o teria levado ao Governo de Minas. Mas uma vez mais observamos que um Golpe de Estado, colocando o usurpador Getúlio Vargas no Governo Federal e suprimindo o Poder Legislativo, retirou-nos a oportunidade de um sucesso mais efetivo. Em família, o Senador foi um homem amável para com os netos, quase nunca bebia, apenas uma taça de vinho madeira, em festas ou jantares, coisa rara em Diamantina. Era uma raposa da velha política mineira, sendo exemplo desta vivacidade o seguinte caso contado por Dª Wanita Miranda: " ..estava a família de Mercedes em grandes dificuldades financeiras, com Leopoldo desempregado. O Senador chamou Wanita (com 8 anos de idade) à sua casa e lhe deu as seguintes instruções: - "Wanita, você vai ao palácio do Bispo e pede prá falar com ele. Quando ele chegar, você fala assim: Excelentíssimo D. Joaquim, eu vim pedir um emprego para minha mãe: há uma vaga em Grão-Mogol (cidade que fica a 250 Km de distância de Diamantina).Então ele vai perguntar : - Sua mãe vai p’rá Grão-Mogol ?E você fala assim: - Não !!!..., V.Excia vai transferir a vaga para Diamantina". E em uma semana, Dª Mercedes começava a dar aulas na vaga em Diamantina. |
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Vultos e Fatos de Diamantina Dados Texto da Fonte: Por esforço próprio, adquiriu conhecimentos básicos e gerais que o fizeram vencedor na vida. A pouca instrução que recebeu foi-lhe ministrada pelos professores particulares da época, mas, autodidata, chegou até onde quis ir. Casando-se criança, enfrentou muito cedo a luta da família, retirando, como funcionário dos Correios, um parco vencimento para a subsistência dos seus. Chegou ao alto posto de contador da sub-administração, em cuja função recebeu dos seus superiores hierárquicos os mais francos e destacados elogios pelo proficiente desempenho que imprimiu aos serviços de comunicação postal. Procurou seguir a mesma estrada que o pai trilhava. Faltando-lhe recursos financeiros para se diplomar por uma escola superior, mas vivendo e ouvindo as lições paternas, conseguiu uma carta de advogado provisionado, cuja profissão exerceu com muita lisura e inteligência. Ocupou depois a promotoria pública e foi professor da Escola Normal. Ingressando na política, quis em 1896 o Partido Constitucional levá-lo à Câmara como seu representante. Razões imperiosas impediram-no de aceitar a indicação. Nesse mesmo ano, foi eleito Agente Executivo Municipal e no ano seguinte reeleito. Em 1898 seu partido indicou-o como deputado estadual e mais tarde candidatou-se a senador; re-eleito algumas vezes, cumpriu o mandato até a malfadada revolução de 1930. Foi político na verdadeira acepção do termo; sagaz e fino, dotado de aguda percepção, era incapaz de maldades, vencendo sempre o adversário: sabia que o insultava, mas, na ocasião propícia, desarmava-o, oferecendo-lhe o que precisava. Graças a estas qualidades, foi respeitado como chefe e se firmou na política durante algumas décadas. A oposição se armou muitas vezes e nunca conseguiu derrubá-lo, porque seu esteio estava nas velhas amizades que solidificara. Para se ter uma ideia de como conduzia a política na velha Atenas do Norte, citarei dois fatos que muito me desvaneceram. Filiando-me em 1930 à "Concentração Conservadora", abri luta no Município, quando caiu gravemente enfermo o Senador Mourão, meu antagonista e às pressas sou procurado para prestar-lhe assistência médica. Não era o único clínico da cidade, seu partido tinha alguns, mas preferiu entregar sua vida ao adversário, que redobrou de cuidados para restituir-lhe a saúde. Outra vez fui distinguido com a honrosa incumbência de ser representante no Conselho Consultivo Municipal, fato que causou espanto ao Prefeito-Interventor da época, que querendo conciliar as correntes, pedia-lhe um partidário e recebia indicação de um competidor para defender-lhe os direitos. Um convite que honrou os dois, era o político confiando ao adversário a sorte de seus correligionários. Nossa educação política tinha destes rasgos, não se derramava sangue, vivia-se de cortesia. Grande parte desta educação devemo-la à índole pacata do Senador Mourão. Terminada a revolução, vaticinou tudo que aconteceria ao Brasil e por isso seus pares entenderam mandá-lo para o ostracismo, porque via na "Legião de Outubro" uma autêntica palhaçada. Seu ex-companheiro de Senado, Olegário Maciel, procurou vingar-se dele, colocando na prefeitura seu maior desafeto, mas o senador só caiu com a morte. Agravando-se seus males, que já vinham de longe, seguiu para a Capital do Estado e lá fechou os olhos hora e meia antes do presidente Olegário. Morreu pobre como viveu e como morriam os antigos políticos. |
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Outros Tempos... Quando eu era Heroína Edição da Autora Detalhes da Citação: pp. 8-9 Dados Texto da Fonte: A CASA DE VOVÔ No final da rua Macau do Meio, como fechando-a, encontra-se a casa do vovô. Construída, inicialmente, para residência do Intendente Câmara, naqueles idos tempos do Tijuco, ela, provavelmente, foi testemunha muda das riquezas, em diamantes e ouro, do sofrimento dos escravos, que ousassem sonhar com a liberdade, ou algum garimpeiro que sonhasse com a riqueza. Vovô, ao adquirí-la, fez-lhe algumas modificações. Mas, sua fachada, com seu longo alpendre, foi conservada. Talvez, os degraus da escada de pedra, dando acesso ao alpendre, tivessem sofrido alguma alteração. O terreno dos fundos com o "Arraial dos Forros", denominação conservada até os dias de hoje, onde residiam os escravos que conseguiam alforria. Possuía a propriedade uma nascente de águal "férrea", que apresentava um sabor peculiar e muito agradável ao paladar. Correndo debaixo de frondosa jabuticabeira, era utilizada, principalmente pelas crianças, depois que chupavam, à vontade, as deliciosas frutinhas. Como ainda não existia água canalizada em Diamantina, no fundo da área da cozinha existia um grande reservatório, com capacidade, possivelmente, para 200 metros cúbicos d'água. Esta entrava, constantemente, por um chafariz, em forma de uma cara. Quantas vezes nós subíamos no paredão do reservatório para descer correndo, afirmando termos visto a "cara da Raimunda..." filha de uma escrava, resultado de uma paixão passageira de um parente próximo de Vovô. E todos, na casa, a queriam muito bem. Apesar dos preconceitos relacionados com sua origem, ela dormia no próprio quarto de nossas jovens tias. Vítima de uma febre, (provavelmente o tifo), veio a falecer em plena mocidade. O tifo que atacou mais diversos membros de nossa família, tia Ester, Pai, eu, Burão, teria o seu foco nesse reservatório ali construído? O fato é que ele foi repentinamente destruído. Em seu lugar existe, atualmente, uma varanda simpática e agradável, para o almoço. O canto direito do alpendre, em frente da casa, era o local preferido do Vovô. Assentado, em sua cadeira de balanço, acompanhava, com seu "olhar de lince", tudo e todos, até cerca de 600 metros adiante. E cada um que se aproximava devia lhe relatar se alguma novidade era comentada na cidade. Era um verdadeira patriarcado, a casa do Vovô. Ele conservava os seus filhos e parentes, ao seu redor, consciente de seu papel protetor. Às nove horas da noite era servido o "chá com torradas". Todos deviam estar presentes. Aguardando o chá, era costume um jogo de cartas: "Burro" ou "Douradão". E Vovô, em seu escritório, discutia com os "coronéis" os problemas políticos, as nomeações a serem pleiteadas ou as transferências ou demissões a serem providenciadas. Era também praxe ser recitado o "terço", na Capela da casa. Sempre muito bem ornamentada e florida, com três altares, onde se encontravam as imagens de Nossa Senhora, Santo Antônio e São Sebastião. E ali, todos os dias, os netos eram levados a conversar com Jesus, com a Mãe do Céu, com o Anjo da Guarda. Pediam sempre pelos Pais e Avós. Se alguém fazia algum pedido especial a Santo Antônio, isto permanecia em segredo entre os dois... Tia Cecília... Como era bondosa... De casamento, Vovô não queria ouvir falar. Não incentivava nenhum pretendente para as filhas. Mãe, a filha mais velha, casara-se, é certo, com um dos representantes políticos dos distritos subordinados à cidade. E era bastante um "Príncipe Herdeiro", como Pai era chamado. As tias, que se contentassem em acompanhar Vovó às Igrejas, passeios às tardes e com afazeres relacionados com os estudos. Quanto a netos, Vovô queria-os em grande número. Mas seus filhos se incumbiram dessa tarefa. |
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Outros Tempos... Quando eu era Heroína Edição da Autora Detalhes da Citação: pp. 25-26 Dados Texto da Fonte: POLÍTICA Vovô continuava com seu prestígio político. Como um dos próceres do P.R.M., Artur Bernardes fora eleito presidente da República. Período agitado, quando ele provou ter têmpera de aço! O "voto distrital" era bem controlado pelos Coronéis. Quantas vezes, todas as pessoas da família, incluindo nós, os netos, não ficávamos horas e horas, dobrando as "chapas" com os nomes dos candidatos a serem eleitos, que eram enviadas aos "currais" eleitorais? 1923 - morre o Presidente de Minas, Raul Soares de Moura. Para substituí-lo é eleito Melo Viana, que deveria completar aquele quatriênio. O maior sinal de prestígio para um político era receber, em sua terra, a visita do Presidente. Diamantina, em abril de 1925, engalanada, aguarda, ansiosa, a chegada da comitiva Presidencial, conforme o anunciado. Foguetes não são economizados. A Banda de Música do 3o. Batalhão desfila, garbosamente, vibrando acordes, os mais harmoniosos e vibrantes. O povo, em traje domingueiro, se amontoa pelas calçadas, sacadas e pontos mais elevados, para que possa melhor assistir o desfile das autoridades. As instituições escolares, com todo seu Corpo Docente e Discente, formam alas, desde o Largo de Dom João, onde se encontra a Estação Ferroviária, descendo pela Avenida até ganhar a rua Direita, indo terminar na Praça principal da Cidade. Aí, haveria a manifestação do povo, ao seu Presidente. A Escola Normal "Américo Lopes" era a que mais se destacava. Suas alunas, em uniformes de gala, com braçadas de flores, saudariam a autoridade máxima do Estado. Os sinos das igrejas repicavam. E uma voz, jovem e vibrante, se erguia para desejar as "boas vindas" ao ilustre visitante. Era Lenita. Aluna do terceiro ano Normal, foi escolhida, por sua natural eloquência e desembaraço, para fazer chegar ao Presidente os anseios da mocidade daquela terra. Emocionado, o Presidente ouve as palavras simples e sinceras, partidas de um coração puro, que não conhecia as intrigas do mundo, nem as perfídias dos homens. E tudo foi alegria e aplausos, naqueles poucos dias. Banquetes e Bailes os mais concorridos... |
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Outros Tempos... Quando eu era Heroína Edição da Autora Detalhes da Citação: pp. 63-64 Dados Texto da Fonte: BODAS DE OURO Os preparativos para comemorar as Bodas de Ouro de Vovô e Vovó eram os mais movimentados. Todos os filhos e notes estariam presentes, além de outros parentes, que viriam de fora. Foi alugada uma casa, nas proximidades, para comportar todos os hóspedes. A casa foi "batizada" como a "Sonora". Lá, os hóspedes ficariam, só para dormir. As refeições seriam tomadas na casa de Vovô. Que reboliço! Quanta alegria! E as galinhas eram sacrificadas, juntamente com os perus e leitões. E os dias que antecediam a data das Bodas passavam céleres, com passeios, pic-nics, serenatas. E estribilhos em voga, na época, eram cantados, principalmente, por nós: "Um elefante amola muita gente. Dois elefantes amolam, amolam muito a gente.. Três elefantes amolam, amolam, amolam muito a gente..." e assim continuavam. Ou então era a de: "Seu Flausino tem uma flauta, a Flauta de Seu Flausino, Titia sempre dizia: Toca, toca, Seu Flausino tinha uma flauta, a flauta de Seu Flausino, Titia sempre dizia: Toca, toca..." e assim continuávamos por muito tempo, entre risadas. Alegre temporada, aquela... Cecy, uma das noras, era exímia doceira. Tomou a si a responsabilidade de confeccionar os doces para a festa: Cajuzinhos, maçãzinhas, olhos de sogra, beijinhos, tronquinho, foram introduzidas pela primeira vez em Diamantina. Mas, ao lado destas novidades, estavam as infalíveis compotas de frutas e a geléia de mocotó, fabricada por especialistas, apresentadas em cálices quais translúcidos vinhos franceses. No dia três de fevereiro, com o maior requinte, todos se apresentavam, em toaletes novas, para assistir ao Ofício Sagrado. Este foi celebrado, solenemente, pelo Senhor Arcebispo Metropolitano. Comemorando tão magna data, todos os parentes comungaram. E a Banda do 3o. Batalhão alegrava a manhã, com seus toques festivos. Durante todo o dia, os Avós receberam inúmeras visitas e cumprimentos de toda a população. À noite, antes do banquete, houve uma manifestação popular, com fogos, música e discursos. Em seguida, foi iniciado o banquete, que deu muito o que falar... Os leitões assados, por Georgeta e a mãe de Vigica, estavam saborosos. Enfeitados de rodelas de limão com azeitonas, traziam na boca uma flor. E a farofa que os acompanhava era suculenta. Os empadões de galinha e palmito, arroz de forno, tutu com linguiça, macarronada, empadinhas e tanta coisa mais, punham "água na boca" dos mais apreciadores de gastronomia. Frutas e bebidas importadas completavam a variedade existente. Após o banquete, com discursos e cantigas, a mocidade inquieta e buliçosa transferiu-se para a nossa casa para dançar. Para mim, isto foi o máximo que podia acontecer. Agora, cá em casa, como Mãe poderia impedir que eu tomasse parte e dançasse? Mas dançar, como? Nunca experimentara antes. Aceitei o oferecimento de Elza Neves, uma colega, para me ensinar a dançar. Dancei a valsa, o tango argentino e o charleston! Daí a instantes, estava na sala, nos braços dos rapazes, realizando um de meus sonhos mais acalentados na vida! Minha felicidade foi completa! Dancei todas as vezes! Como foi bom comemorar as Bodas de Ouro de Vovô lá em casa!... |
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Outros Tempos... Quando eu era Heroína Edição da Autora Detalhes da Citação: pp. 86 Dados Texto da Fonte: CANDIDATO PREVIDENTE A Política era manhosa e dominadora, como sempre. Os coronéis continuavam sendo respeitados e donos absolutos da situação. Entretanto, como sempre ouvia dizer, o modo de agir de Vovó era sereno, evitando cometer uma injustiça, nunca abusando do poder que desfrutava. Havia mesmo o comentário, em surdina na Cidade, que ele atendia talvez, mais ao inimigo político, que a seus correligionários. Eram comentários... nada soube de mais concreto, para provar isto. Mas, que ele nunca solicitava favores para parentes, isto era "público e notório". Os cargos públicos existentes na cidade, na época, eram em número bastante reduzidos? Juiz de Direito, Juiz Municipal, Promotor de Justiça, Coletor Estadual, Delegado de Polícia... Professores... Houve o caso de estando à morte o carcereiro local, um candidato à vaga, aguardou na casa do moribundo, seu falecimento, para, em seguida, vir à casa do Senador, solicitar o lugar. Mas, informado que a vaga já estava comprometida, para outro candidato. Cabisbaixo, Seu Vicente, foi se afastando silencioso e amargurado. Aquele inesperado compromisso de compadre, transformava, completamente, seus cálculos. Súbito, uma idéia lhe ocorreu. Retrocedendo, disse: "Olha, Senador. Então, desde hoje o Senhor fica comprometido comigo. Quando seu José morrer, é minha a vaga". Vovô, admirado, sorriu aquiescendo. Seu Vicente, tranquilizado e confiante na precocidade da morte de seu rival, afastou-se rapidamente. Sabem o que mais? Ele ainda conseguiu a vaga pleiteada... E era bem mais velho que seu antecessor. |
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Outros Tempos... Quando eu era Heroína Edição da Autora Detalhes da Citação: pp. 96-99 Dados Texto da Fonte: MAIS POLÍTICA Aproximava-se a época das eleições. Havia no ar um sintoma de reação contra o poder federal. O afamado esquema "Café com Leite", não podia deixar de funcionar. (No Governo Federal - Minas - São Paulo) Washington Luiz Pereira de Souza, o chamado "Paulista de Macaé", filho do Rio, mas apoiado politicamente em São Paulo, rompeu a tradição. Apoiou para candidato à Presidência da República para substituí-lo outro paulista: Júlio Prestes. Para vice-presidente o baiano Vital Soares. O P.R.M. que indicara para o governo federal Antônio Carlos, considerou "traição" a decisão de Washington Luiz. Nasceu daí, a Aliança Liberal, composta pelos Estados de Minas, Rio Grande do Sul e Paraíba. Os candidatos à Presidência e vice-presidência seriam: Getúlio Vargas, do Rio Grande do Sul e João Pessoa, da Paraíba. E o povo entusiasmou-se, querendo demonstrar que sua vontade era soberana. "Abaixo o despotismo federal!" Chegou o dia das eleições e em seguida a decepção geral. O sistema de apuração de votos era o mais rudimentar. A anotação à "bico de pena" dava oportunidade e facilitava a distorcer os resultados. E a vitória foi proclamada para os candidatos do governo federal. Com isto, não se conformaram os partidários da Aliança Liberal. Era Presidente de Minas, Olegário Maciel. E a Revolução de Trinta estourou. A mocidade, arrebatada e idealista, alistou-se como voluntária. Foi engrossar a fileira dos combatentes da Serra da Mantiqueira. Não tomava conhecimento que se tratava de uma luta fraticida! Iriam trucidar os próprios irmãos! E, foi lá na Mantiqueira, que muitos mineiros derramavam o seu sangue, querendo assim deixar escrito, indelevelmente, o direito de defender o ideal de liberdade, de justiça e de respeito à vontade soberana do povo. Heráclito apresentou-se como voluntário. Partiu, deixando os Pais, em Diamantina, aguardando ansiosos suas notícias. E, as que chegavam eram as mais alarmantes e desencontradas. Em Diamantina, os comícios, para entusiasmar a população, eram frequentes. Todas as noites, o Palanque, no centro da cidade, era ocupado por um ou outro orador, que entusiasmava a multidão. E o povo ouvia e aplaudia, de longe, o movimento revolucionário, pois não via de perto dos tiros e a matança... Pai, meio filósofo e experimentado, não era dado a muitas demonstrações de seu entusiasmo. Observava o desenrolar dos acontecimentos. Certa noite, ao regressar à casa, atravessava a praça, onde o povo aplaudia os oradores entusiasmados. Ele ouviu uma voz feminina, que lhe pareceu conhecida. Olha para o Palanque. Quem vê? Eu, sua filha, ali estava, toda inflamada, incitando a multidão a pegar em armas: "Senhores, Minas está em forma de um Triângulo luminoso, juntamente com o Rio Grande do Sul e Paraíba! E as mulheres, junto aos homens, querem demonstrar que estarão presentes, dando mais que seu estímulo e entusiasmo àqueles que partem, para defender uma Pátria livre e forte. Elas darão o seu esforço, sua cooperação, seu sangue e a própria vida se a tanto forem obrigadas, junto nos campos de batalha. Porque, podem estar certos, nosso patriotismo é tão sagrado e incontrolável, nossa fé e confiança na boa causa é tão grande, que empunharemos armas, lado a lado com os homens, na defesa de nossos ideais!..." Pai, estarrecido, ouvia os comentários ao seu redor, sobre o que acabava de ser pronunciado. E seu espanto chegava ao auge da indignação! "Como ela ousava fazer tal pronunciamento em público, sem o consentimento paterno?..." Chegando em casa, foi explodindo com a atônita Mãe, que tudo ignorava. Era o cúmulo! Mãe partiu imediatamente para o local do "meeting", trazendo de volta para casa a filha que estava por demais entusiasmada. Em Belo Horizonte, no dia três de outubro, o Senado permanecia em Reunião, quando foi informado ter estourado a revolução. Vovô, conduzido por um amigo, conseguiu sair pelas portas do fundo do Grande Hotel, regressando a Diamantina. Quem permaneceu no recinto foi preso pelas forças revolucionárias. E os dias do mês de outubro de 1930, trouxeram muitas lágrimas, temores, orações e novenas. Pois, os soldados do 3o. batalhão tinham seguido para frente de operações e o sangue de dezenas deles embebeu o solo da Pátria! Mas, os comícios continuavam. As passeatas de colegiais e seminaristas aconteciam, dia a dia. Em seus arroubos varonis, julgavam contribuir para a libertação da Pátria, com aquelas demonstrações públicas de civismo. O Batalhão Feminino foi organizado. Era comum o desfile dos elementos do Batalhão, pelas ruas da cidade. Lições de enfermagem, atendimento de primeiros socorros eram ministrados pelos médicos, para caso de uma convocação para o front. As Escolas não funcionavam. O tumulto era geral. Notícias da Revolução não chegavam com muita presteza. Sabia-se que as Forças Riograndenses estavam concentradas em Itararé, ameaçando invadir São Paulo. No Nordeste, Juarez Távora dominava a situação. Minas, combatia ferozmente, na Mantiqueira. Decorridos vinte dias, no Rio, o Cardeal D. Leme é o emissário oficial que vai até o Catete discutir com Washington Luiz a gravidade da situação. O desfecho foi a rendição do Governo, embarcando o Presidente para a Europa. Vinte e quatro de outubro de 1930. A Revolução estava vitoriosa! Organizava-se o Trio que seria responsável, provisoriamente, pelos destinos do País: Almirante Isaías de Noronha, Generais Mena Barreto e Tarso Fragoso. Em três de novembro, Getúlio Vargas assumia o poder, como Chefe do Governo Provisório, que sem implantava. Em Diamantina, Vovô sente abalado o seu prestígio político de quarenta anos. A ala oposicionista tomou as rédeas da política. O Senador volta-se, completamente, para a família. Continua a ser visitado por antigos correligionários. Sua saúde começa a apresentar sintomas mais pronunciados de debilidade como consequência do golpe que sofrera, partindo de um ex-adepto do P.R.M., o partido pelo qual batalhou. É levado para Belo Horizonte, em tratamento. Em cinco de Setembro de 1933, veio a falecer, após prolongado tratamento. Por uma coincidência, neste mesmo dia, falece Olegário Maciel, o companheiro de outrora... então no Governo de Minas. Lá em Diamantina, derramei lágrimas copiosas, pelo desaparecimento de um Avô, com quem tinha tanta afinidade! Foi o companheiro de conversas por horas a fio! Sentado em sua cadeira de balanço, lá no fundo do alpendre, ele me contava a história da terra, o Tijuco, com seus homens, sua vida! Eu, sempre muito atenta, bebia suas palavras e ensinamentos, com amor e carinho. Agora... Adeus!... Nunca mais!... Mas, terei semrpe viva em minha mente a lembrança e os conselhos daquele verdadeiro homem, afável e manso, que desconhecia a vingança e o ódio, feito para compreender, amar e perdoar! |
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Família com Pais |
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Família com Mariana Corrêa Rabelo |
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Assistente de Pesquisa
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