Dados Pessoais e Detalhes
| Nascimento | 22 Março 1879 22 20 Diamantina, MG |
| Ocupação | 5 Junho 1899 (Idade 20) Redatora Diamantina, MG Instituição/Empresa: Esperança
Detalhes da Citação: O Município - 5/6/1899 - maço 41 - no. 200 - fl. 3 Texto da Fonte: Temos sobre nossa mesa de trabalho os números 1 e 2 da "Esperança" um pequeno periódico da redacção das exmas. senhoritas Mercedes Corrêa de Oliveira Mourão, Djanira Passos, Cleia Corrêa Rabello, Helísa Passos e dd. Maria Josefina de Medeiros e Mariana Hygina de Miranda. O jornalzinho está bem impresso e contém na somma de suas publicações umas joias litterárias de valor inestimavel, que recomendão em extremo a graça e o talento das escriptoras. |
| Graduação | Exames 13 Julho 1899 (Idade 20) Belo Horizonte, MG Instituição/Empresa: Curso de Humanidades
Detalhes da Citação: 13/07/1899 - maço 41 - no. 204 - fl. 1 Texto da Fonte: A senhorita Mercedes Corrêa de Oliveira Mourão, digna filha de nosso representante no congresso do estado o ex. sr. Olympio Mourão, a qual se acha em Bello Horizonte, prestou exame de portuguez para o curso de humanidades, sendo plenificada, achando-se inscripta para exames de diversas outras materias do mesmo curso. |
| Noivado | Dezembro 1899 (Idade 20) Leopoldo Luiz de Miranda - Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 11/12/1899 - maço 42 - no. 218 - fl. 2 Texto da Fonte: O nosso ilustre conterrâneo Leopoldo Quintino de Miranda contratou casamento com a intelligente e gentilissima senhorita Mercedes Mourão, digna filha do exmo. sr. Olympio Mourão. Desejamos de todo coração que o futuro casal seja tão feliz quanto merece, e que a vida lhe traga uma ininterrupta série de alegrias e felicidades. |
| Casamento | 3 Fevereiro 1900 (Idade 20) Leopoldo Luiz de Miranda - Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 11/12/1899 - maço 42 - no. 218 - fl. 2 Texto da Fonte: Consórcio Foi brilhante de recordações indeléveis a festa de honra ao consórcio do sr. Leopoldo de Miranda com a exm.a sr.a d. Mercedes de Oliveira Mourão, digna filha do exm.o Deputado Olympio Mourão, realisado no dia 3 do corrente revestindo-se do grande apparato as solemnidades civil e religiosa, celebradas ambas em casa do pai da noiva, aquella às 5 horas da tarde, sendo testemunhas os srs. João Francisco Motta, por parte do noivo, e o nosso collega Arthur Queiroga, por parte da noiva, e esta ás 8 horas da noite, sendo celebrante o exm.o monsenhor Augusto Júlio de Almeida e paranynphos do noivo o sr. dr. Antônio Ramalo e d. Maria Salomé de Miranda Leão e da noiva o sr. Sebastião Rabello e d. Djanira Passos. Aos numerosos amigos e parentes das famílias dos noivos, que estiveram presentes ás solemnidades, foi servido profuso banquete, sendo os noivos muito felicitados. Foi uma festa magnifica de que todos os convivas se retiraram levando as mais gratas recordações e desejando aos illustres toda a sorte de venturas de que são dignos. |
| Falecimento | 9 Agosto 1959 (Idade 80) Belo Horizonte, MG |
| Sepultamento | 10 Agosto 1959 Belo Horizonte, MG |
| Identificador Universal | 4C22176239F1D411940B9CFD99F1B55BC864 |
| Atualizado em | 28 Outubro 2007 - 21:17:19 Última Alteração por: virgilio |
Notas
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"Dona Mercedes, cumparando mal, a Senhora tem a Coragem de uma Onça!" "A Luz da inteligência poderosa não se lhe extinguiu de uma só vez", assim o prof. Aires da Matta Machado Filho, iniciou uma crônica sobre o falecimento de Dª Mercedes publicada no jornal O Estado de Minas em 22/03/1979, dia do centenário de nascimento da matriarca. "Resistiu à escuridão, enquanto pôde. Lento e lento, foi-se-lhe confundindo, até que em bruxuleio final que ninguém fixou, passou a brilhar de fora para dentro. De tanto recordar, perdeu o rumo da reminiscência, que se transformou na única realidade. Por fim, transfez-se em sombra do que antes era. Quem a visse então, sentia-lhe a morte, vez a vez. O gritante contraste doía na inteligência e na sensibilidade. Por isso, quando ela se foi para sempre, experimentaram a impressão de assistir a um remate muito triste aqueles que permaneceram deste lado, "na luta e na saudade", no dizer de Dom José Newton de Almeida Batista, Arcebispo de Diamantina. Nessa cidade nasceu, amou, viveu. Aí encontrará quem se dispuser a evocá-la, para exemplo e admiração. O pai, político por vocação pessoal e amor à sua terra, pôde dar-lhe o modesto conforto das famílias numerosas. Temeroso do mal do século, adotou uma concepção anti-romântica da educação feminina, rara naqueles tempos. Não queria saber de jovem sonhadora, a consumir-se de amor, ao som de bilros. Encaminhou-a para a vida intelectual. A mãe, cuja nobreza de alma e sangue se retemperou na dureza da vida em que a criaram, ensinou-a a enfrentar a pobreza como privação que Deus envia. Na suavidade dos modos singelos, cultivou-lhe a têmpera da energia. Pertencia a essa casta de mulheres que educam a poder de esforços e sacrifícios desajudados, filhos e filhas. Um dia ainda se estudará a matrona mineira. A nossa contou com o apoio do companheiro, a quem sempre auxiliou em tudo e por tudo. Entrou a decair, quando o perdeu. Nasceram-lhe dezesseis filhos. Só não criou até o fim aqueles a quem Deus quis levar em botão. Muito fez a jovem estudiosa, moça culta, a professora, a mulher de inteligência esclarecida, mas o primor dos seus feitos está na formação cristã de familia modelar. Valha o testemunho quem o sente, em todos os minutos, de quase vinte anos. Da primeira vitória intelectual ficou documento. "O Município" noticia a formatura da normalista, com distinção em todas as matérias, menos um plenamente em Economia Política, que então fazia parte do programa. Foi em 1896. Os rapazes da cidade tinham os seus professores particulares. Estudavam com eles para irem prestar exames de preparatório, na Capital do Estado. Por que tolher a mesma aspiração às moças? Também a elas começavam a franquear-se, embora dificultosamente, as portas da Universidade. Dirigiu-se a Belo Horizonte e fez os seus preparatórios, com brilho fora do comum. Nisso foi a primeira naquela região. De mais uma primazia podia se orgulhar-se. Em 1899, com outras moças da cidade igualmente imbuídas de preocupações culturais , fundou o periódico " Esperança", uma das primeiras folhas feministas do Brasil. Tinha de pugnar pelas revindicações feministas. Nisto como em tudo mais, nunca se esquivou aos princípios da religião verdadeira. A fé escudou a católica contra o desespero na adversidade e a revolta na injustiça. Afrontou e venceu o sofrimento. Dele tirou proveito, talvez despercebidamente, para proporcionar aos filhos a escola incomparável da dificuldade. Tinha construído a própria casa: no sentido metafórico, mas até na acepção concreta da palavra. Desenhou-lhe a planta, numa quadra em que, mortos havia muitos arquitetos coloniais, mestres que se guiavam pelo risco, se tornou costume edificar pelo rumo... Vigiou os operários [daí a frase que abre este texto] e há de tê-los ajudado algumas vez. Os meninos punham-se grandes, sem onde continuarem seus estudos. Recursos para tanto não os havia em Diamantina fora do Seminário e do Colégio Particular da Irmãs Vicentinas. "Vamos fundar uma escola normal" - propôs o marido. Figurava o nome dela na lista dos professores. Desde então, lecionou Aritmética, Álgebra e Geometria Longo tempo sustentou-se a escola, só de abnegação do corpo docente. No entanto, ia indo por adiante. A Professora de Matemáticas formava discípulos, em cuja vida se projeta, primeiro na cultura, agora também na saudade. Simultaneamente, a família ia-se criando: dezesseis filhos e não sei quantos alunos. Também se fez professora primária. Quando mocinha, ajudara a mãe, que também dava escola. Foram só dois anos, mas os alunos desse tempo não a esquecerão nunca. Em Diamantina, deixou o seu ar e seu gosto. Mesmo assim, ainda viveu dias tranquilos na Capital. Pulsou e sopesou valor e prestígio dos filhos, os quais se fizeram e subiram, quando o avô, já em desgraça política, não os podia proteger. Foi-lhe dado ver os frutos dos desvelos com as filhas. Em torno dela reuniam-se os netos, que chagaram a 52 em sua vida. Deus ainda lhe concedeu lucidez para abençoar os primeiros bisnetos entre os dezesseis que deixou. Cessa de viver, neste mundo, aos oitenta anos e poucos meses, pois nascera a 22 de março de 1879 e faleceu a 9 de agosto de 1959. Energia e fé, duas palavras já empregadas nestas pobres linhas, resumem a vida que se finou em plenitude. A consideração de tudo quanto neles se compagina sempre acompanhará em adequado contraponto a imorredoura lembrança de Dª Maria Mercedes Mourão de Miranda". A força de Dª Mercedes, foi tão marcante na família, que apesar do esposo ter registrado uma filha com o nome de Aspásia, Dª Mercedes, por sua conta a batizou de Olyntha e foi o nome pelo qual ela foi conhecida pelo resto da vida. Foi sepultada no jazigo 134 do Cemitério do Bomfim em Belo Horizonte, MG. |
Fontes
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Depoimento
Detalhes da Citação: Maria Wanita Mourão de Miranda - 1971 Dados Texto da Fonte: Não era bonita na infância por causa de uma testa muito grande, o que concorreu para se tornar concentrada e propensa ao raciocínio. A vaidade e a coqueterie foram cousas que ela não conheceu. Simples, despretensiosa, era muito firme de vontade. Educada na religião católica, foi Filha de Maria e Dama de Caridade, associações em moda na época. Fez o curso primário com sua mãe que era professora de escola singular e a escola normal, na qual logo se destacou em matemática. Passou a sua adolescência entre sonhos e estudos. Em 1899, fundou junto com as primas Clélia Rabelo, Mariana Higina, Heloisa e Djanira Passos, Maria Josefina de Medeiros, um Jornal chamado "A Esperança", de cunho feminista. Em 1909, os rapazes fundaram o jornal "Diamantina 2ª fase", para dialogar com as moças de então. Entre eles estavam:Artur de Queiroga; Teodomiro Alves Pereira, o compositor da modinha "É a ti, flor do Céu"; Antônio Tolentino, depois prefeito do Serro por muito tempo, e o Leopoldo de Miranda. Quando resolveu continuar seus estudos, Mercedes disse a seu simpático e liberal pai queria estudar engenharia em Belo Horizonte. Já estava na fase de preparação, quando Leopoldo apertou o cerco, para impedi-la de viajar. Ai o feminismo caiu por terra: Mercedes preferiu ser mulher!... Casou-se. Em 1913, ela e Leopoldo fundaram a Escola Normal "Américo Lopes". Essa escola foi oficializada no Governo Antônio Carlos, passando a chamar-se "Escola Normal Oficial de Diamantina". Por ocasião do centenário de nascimento de Leopoldo de Miranda, o povo de Diamantina fez uma representação a Assembléia Legislativa, solicitando a mudança do nome do estabelecimento para "Colégio Estadual Prof. Leopoldo de Miranda", em homenagem ao seu fundador. Mercedes era uma mulher resoluta; nunca lhe faltava ânimo para resolver as situações mais difíceis. Maria Mercedes viveu 80 anos. Faleceu deixando 52 netos e vários bisnetos. Hoje ela é lembrada na família como a mulher evangelho, que foi a companheira fiel e o braço forte de seu esposo por 47 forte do anos, ajudando-o na faina da educação e manutenção dos filhos. A ela toda nossa gratidão. |
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![]() Mídia | Formato: jpg Dimensão da Imagem: 276 x 228 Nota: Heráclito, Olyntha, Vanita, Solange & Mariana com mãe Mercedes. |
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Família com Pais |
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Família com Leopoldo Luiz de Miranda |
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