Dados Pessoais e Detalhes
| Nascimento | 31 Outubro 1868 50 26 Fazenda do Tijucussu, Senador Mourão, MG |
| Noivado | Dezembro 1899 (Idade 31) Maria Mercedes Corrêa de Oliveira Mourão - Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 11/12/1899 - maço 42 - no. 218 - fl. 2 Texto da Fonte: O nosso ilustre conterrâneo Leopoldo Quintino de Miranda contratou casamento com a intelligente e gentilissima senhorita Mercedes Mourão, digna filha do exmo. sr. Olympio Mourão. Desejamos de todo coração que o futuro casal seja tão feliz quanto merece, e que a vida lhe traga uma ininterrupta série de alegrias e felicidades. |
| Casamento | 3 Fevereiro 1900 (Idade 31) Maria Mercedes Corrêa de Oliveira Mourão - Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 11/12/1899 - maço 42 - no. 218 - fl. 2 Texto da Fonte: Consórcio Foi brilhante de recordações indeléveis a festa de honra ao consórcio do sr. Leopoldo de Miranda com a exm.a sr.a d. Mercedes de Oliveira Mourão, digna filha do exm.o Deputado Olympio Mourão, realisado no dia 3 do corrente revestindo-se do grande apparato as solemnidades civil e religiosa, celebradas ambas em casa do pai da noiva, aquella às 5 horas da tarde, sendo testemunhas os srs. João Francisco Motta, por parte do noivo, e o nosso collega Arthur Queiroga, por parte da noiva, e esta ás 8 horas da noite, sendo celebrante o exm.o monsenhor Augusto Júlio de Almeida e paranynphos do noivo o sr. dr. Antônio Ramalo e d. Maria Salomé de Miranda Leão e da noiva o sr. Sebastião Rabello e d. Djanira Passos. Aos numerosos amigos e parentes das famílias dos noivos, que estiveram presentes ás solemnidades, foi servido profuso banquete, sendo os noivos muito felicitados. Foi uma festa magnifica de que todos os convivas se retiraram levando as mais gratas recordações e desejando aos illustres toda a sorte de venturas de que são dignos. |
| Ocupação | 1903 (Idade 35) Escrivão da Coletoria Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 18/7/1903 - maço 50 - no. 304 - fl. 2 Texto da Fonte: Foi nomeado escrivão da collectoria desta cidade, o nosso estimado conterrâneo Leopoldo de Miranda. |
| Ocupação | 1927 (Idade 59) Procurador Geral Municipal Diamantina, MG
Detalhes da Citação: 1927
Nota: Notícia de falecimento de uma neta. |
| Falecimento | 10 Novembro 1947 (Idade 79) Belo Horizonte, MG |
| Sepultamento | 11 Novembro 1947 Belo Horizonte, MG |
| Identificador Universal | 3022176239F1D411940B9CFD99F1B55BACA4 |
| Atualizado em | 7 Janeiro 2008 - 23:38:58 Última Alteração por: virgilio |
Notas
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Em 3 de fevereiro de 1947, os filhos, genros, noras e netos de Leopoldo e Mercedes organizaram uma hora lítero-musical, que teve o seguinte programa de atividades: I ParteAbertura da Sessão - Aires da Mata Machado FilhoPiano - Arnaldo MarchesottiDeclamação - Vanita Piano - Arnaldo Marchesotti Contos - Paulo Mourão II ParteCanto - Mariinha, acompanhada por José Piano - Arnaldo MarchesottiAnedotas - Horácio Versos - Mariana Piano - Arnaldo MarchesottiEncerramento - Consuelo Na abertura da seção, Mestre Aries leu a história que transcrevemos a seguir: Era uma vez... Um mancebo muito bem apessoado que, não se sabe bem por que razão, se fizera amigo de uma das mais importantes figuras da localidade. Passeavam juntos, trabalhavam de comum acordo na política, eram parceiros ao solo e ao voltarete. O moço frequentava muito a casa do amigo, para o joguinho e para comentar as novidades. Uma certa hora, as moças serviam o café. Mas isso, é claro, nada tinha que ver com o Saldanha da Gama, nem com o golpe de Estado do Marechal Floriano... Uma tarde, passeavam os dois amigos, como de costume e acertaram de parar na velha ponte dos Suspiros. Era a hora confidencial, em que o sol descamba, e já se pode saber o ponto onde a lua vai surgir. E travou-se então esse diálogo, depois de longo silêncio significativo: - Matias, porque não se casa com a Lucilia?- Não. Não caso, porque eu quero casar é com a sua filha Leonor. Daí a um mês, o professor Matias da Silveira recebia como esposa a gentil Senhorinha Leonor Mendes Beirão, extremosa filha do nosso dileto amigo Dr. Olívio Beirão, figura de destaque na alta sociedade tradicional de Turmalina. Isso, há 47 anos passados. Qualquer semelhança de personagens desta história com indivíduos pertencentes à nossa família, deve ser atribuída a mera coincidência. Também em 1947, seis meses antes de seu falecimento, Leopoldo de Miranda viajou até Araxá para observar um eclipse com seu filho Heráclito e a esposa deste, Consuelo. Escreveu Leopoldo um diário de lembrança desta viagem: "Saímos de Belo Horizonte na R. M. V. [Rede Mineira de Viação] às 21 horas de 17 de Maio de 1947. Andamos 9 horas de noite. Logo ao amanhecer do dia 18, puz-me em observação: vi roças de milho-tambueiras, uma outra com espigas regulares; gado vacum em bôa quantidade, mas cavalar insignificante. Abacaxi em grande quantidade, - uma Estação tomou-lhe o nome "Abacaxi". Ainda há muitos ranchos de capim. Cana de açúcar em quantidade, bananeiras bastante! Às 9 e meia horas vi uma fazenda com gado e larageiras de fazer inveja!... Na beira da estrada até grande distancia vêm-se um capinzal de diversas qualidades, ainda muito verdes. Tigre, estação depois de Bambui, – grande quantidade de lenha na margem; Tigre é rodeada de morros – capim e bambual. Em Tigre há tábuas de pouca largura; há um fundangão – passa um ribeirão volumoso. Uruburetama, – parada, algumas casas. A R. M. V. toma todas as direções – dos 4 pontos cardeais... Uma fazenda grande – gado vacum. Um túnel de segundos de escuridão! Campos Altos. Às 8 e meia horas chá com pão. O trem matou um cavalo!... Itamarati – grande coqueiral macaubas! Almoçamos na R. M. V.: eu, Heráclito e Consuelo; esta teve um pequeno enjôo. Tobaty adiante; Riacho Corumbá. Uma fazenda com 2 éguas paridas – gado vacum e cavalar; residência do engenheiro da Rêde. Ibiá – cidade banhada pelo rio Corumbá; tem charqueada; ponte: a melhor da zona circumvisinha. Estação de Estêvão Lôbo. Na caixa d’água demoramos 30 minutos e partimos às 4 horas e 40 minutos. Há criação de porco e galinha. Tamanduapava – grotas, sucavôes, florestas seculares! Chegamos às 17 horas e 30 minutos à Cidade do Araxá. Fomos de automóvel para o Grande Hotel de Barreiro, quartos 452 e 453. Oswaldo Antunes de Oliveira - gerente, quasi proprietário. O Hotel foi feito por Benedito Valadares, quando Governador, no período da ditadura. Tem o Hotel 332 quartos. Perguntei pelo maior criador de gado vacum? José Adolfo tem de 3 a 4000 cabeças por ano. Um gaiato; além de gado, cachorro!... Na manhã de 19 fomos à fonte de D. Beija, antiga proprietária, água radio-ativa. Árvore secular, onde ela passava na sombra, as horas de lazer. Lama medicinal, onde existe uma máquina tocada à água, separando a nutrição para as roças e quitandas! Há uma placa dos engenheiros Freire & Sodré. Ossos de animais antigos, antes da nova era!... Jardins regados artificialmente, por meio de canos de ferro que jogam a água a grande distancia e em diversos sentidos, como chuva!... À noitinha, depois do jantar que é sempre às 19 horas, assentei num banco de pedra, em frente ao Grande Hotel. Estávamos Dr. Heráclito, D. Consuelo e eu, para vermos o eclipse! Eram 9 horas, 20 de Maio, todos atentos, quando 2 aviões apareceram entre as nuvens, parando entre as nuvens que cada vez mais fechavam o horizonte! Às 9 horas e 25 minutos – tudo escureceu, como se fosse noite; acenderam-se os lampiões, mas minutos depois pôz-se a clariar como se fosse uma nova aurora! Não se viu nada! Os Russos que lá abarracaram, com instrumentos astronômicos, para tirarem a limpo os estudos de Einstein, quasi choraram por ficarem a ver navios!... Façam o cálculo que vieram pelo mar do Norte, quebrando gêlo para passarem; armaram aparelhos e à última hora – só nuvens pretas!... Só às 10 e meia horas o sol se pôz a produzir calor, depois de pingos grossos de chuva!... O pôvarco de luneta escura observava. As 2 filhas de D. Hilda Rabelo da Mata Machado, Ione e Ivete, foram e voltaram de avião. O Dr. Heráclito com maquina fotográfica punha a mirar algum ponto mais claro, procurando fotografar alguma passagem do eclipse. O Grande Hotel tem um apartamento Presidencial com a diária de Cr$3.000,00. O descobridor de Araxá foi o bandeirante Lourenço Castanho Jaques de 1636 a 1736. O Grande Hotel hospedou 00 que vieram para ver navios!... Tem a Cidade um Ônibus – Barreiro, que cobra, por ida e volta, Cr$4,00. Na noite de 20 para 21, Heraclito e Consuelo foram ouvir canções em benefício da escola publica de Barreiros; mas eu deitei, levantando mais cêdo e eles ainda dormiam. Não quiz tocar a campainha para vir o café; pois podia ficar frio. Desci no Elevador e fui à varanda. Serviram-me de tira jejum e dei de gorgeta Cr$5,00. Saí para o jardim, aguardando a chegada do Ônibus Barreiro. Atravessou-me uma criança pobre a quem dei quarenta centavos. Pouco depois chegou o Ônibus; fui à Cidade, demorando apenas 10 minutos. Quando cheguei ao Grande Hotel, Heraclito disse-me que tinha ido ao acampamento dos Russos que pretendiam demorar mais uma semana. Fomos depois do almoço à Cidade de automóvel; demoramos bastante tempo, seguramente duas horas. Apeamos na rua Presidente Olegário Maciel; depois de Consuelo comprar uns objetos, fomos à praça Benedito Valadares – o grande benfeitor de Araxá, placa colocada pelo prefeito – Álvaro Cardoso. A estancia de Araxá dista 10 minutos de automóvel da Cidade do mesmo nome, tendo ao Norte e Oeste a cidade de Perdizes; ao Sul Sacramento e a Leste – Ibiá. Araxá, na língua dos indígenas, quer dizer – Cidade alta, onde o sol se vê primeiro em toda América do Sul. A volta fez-se na Quinta-Feira, 22 às 11 e meia horas, na mesma R. M. V. e chegamos no dia seguinte a Belo Horizonte, às 7 e 10 da manhã. Perdi minha boceta de tomar rapé, prezente de Sinhá Andrade. Não pensem que não fui à Rede Mineira de Viação procurar. Perguntava num escritório: É ali; é acolá; é mais adiante... e assim fez-me lembrar do "Diário da Tarde" em reclamação contra o desleixo existente. Afinal procurei o carro onde vim; estava fechado e o José Macaco não estava presente. Nessa noite, um guarda pediu-me dez cruzeiros, pois estava sem vintém para concluir a marcha. Em conclusão: belo sexo, vi de todas as espécies – Sereias, Águias, Pavões, Tucanos, Araras, Emas, Perdizes, Garças, Avestruzes, Anús – brancos e pretos, Codornas, Faizões, Maracanãs, etc. até corujas!..." Nesta mesma caderneta, encontra-se o seguinte texto: "Setembro de 1947 Sei, pela História Universal, que este nosso Planeta aparece e desaparece - de 2000 em 2000 anos, por consequência só restam 33 anos, em face de um historiador ter dito que o Kalendário Juliano, reformando o Lunar que foi feito 19 anos depois que a terra apareceu, confirma esta concluzão!... Como as leguminozas não podem aparecer sem os três elementos - ar, água e calor, recomendo muita economia para atingirem o fim que não está longe!... Como não deixei constado, na minha auto-biografia, a substituição do Professor Sebastião Fernandes, por 15 dias, a pedido do Cônego Manoel Alves, Inspetor Municipal, logo após ter me titulado normalista, venho fazer público este acontecimento. Nesta substituição deu-se o primeiro caso concreto de minha vida no cumprimento de dever. Houve uma briga entre os alunos - Herculano Cezar Pereira da Silva e Salvador R. Fróes. De acordo com o Regulamento de Instrução da época havia castigos físicos e prizão em quarto escuro, este castigo só se dava por terminado após as lições, terminado o horário do dia. Os dois brigões tiveram este castigo. Após o encerramento da tarefa do dia, antes de serem soltos com as recomendações regulamentares, chegou o Augusto Cesar, dizendo que o pai, Cel. Manoel Cezar tinha mandado pedir que soltasse o Herculaninho que tinha almoçado pouco e devia estar com necessidade; também já estava cumprido o castigo e ambos foram soltos. Fechei a escola e fui para casa!... No dia seguinte, quando voltei, encontrei a vizinhança toda alarmada!... dizendo que o Cel. tinha ido de revólver em punho, clamando vingança aos céus e à terra!... só ficou nisso. Acabadas as aulas do dia seguinte levei o fato ao conhecimento do Cônego e este me disse: "foi pena que V. não dessa 1/2 dúzia de bolos de palmatória!... Pesquizando, soube que o professor não levava à sério a disciplina pedagógica!... Esta substituição deu-se em virtude do professor Sebastião Fernandes precizar de ir ao Serro para ver uma herança de que era herdeiro. Não recebi vintém, mero favor!... Foi no ano de 1888!... Em 1989, Agosto 19, fui para Piedade de Minas Novas, como professor adjunto. Tomei posse e fui para a escola primária - era sábado, o colega José Cerqueira - O Zuza - deu ???? aos alunos. Só entrei em exercício na Segunda-Feira. Dividimos os alunos. Do lado do Zuza ficou um aluno desses que só querem brincar e fazer artes. Não gostando da comédia, disse ao Colega que passasse o brincalhão para o meu lado. Por artes de Berliques e Berloques, contive o insubordinado, a ponto do Colega me chamar a atenção que o menino era filho de um chefão; mas não me retraí. No sábado chegou o Cel. José Pinheiro França, de uma chácara - Bananal, distante do arraial uns 6 kilometros. Daí a [Neste ponto é interrompida a narração, no início da descrição, consta a data de Setembro de 1947. Leopoldo morria menos de dois meses depois.] Pelo Decreto Estadual no. 10.192, de 20/12/1966, publicado no "Minas Gerais" de 21/12/1966, as Escolas Combinadas da Vila Ineco, em Belo Horizonte, foram transformadas em Grupo Escolar com a denominação Professor Leopoldo de Miranda. Foi sepultado no jazigo 134 do Cemitério do Bomfim em Belo Horizonte, MG. |
Fontes
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A Saga dos Mourão (Edição do Autor ) Dados Texto da Fonte: Leopoldo era exímio caçador, certa ocasião foi a uma caçada com um grupo de companheiros, na Serra do Cabral. Lá chegando, cada um tomou uma direção. Leopoldo já estava longe e nada de atirar, ouvia os tiros dos amigos de todos os lados e ele nada. Afinal depois de muito andar seu cão perdigueiro, de nome Nero, estancou, levantando uma perdiz. Depois mais uma, apenas três no total. Andou o resto da manhã até a hora de encontrar os amigos, e ele voltou todo humilhado carregando apenas as três perdizes. Quando chegou, não teve coragem de enfrentar o olhar zombeteiro dos colegas e colocou sua três perdizes em cima dos alforjes. Nessa hora os amigos começaram a bater palmas e gritar vivas, pois nenhum deles tinham conseguido pegar coisa alguma durante toda a manhã. Participaram dessa caçada: Dr. Teles, João Leão, Sebastião Rabello, Catãozinho e Dr. Ramalho. |
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Outros Tempos... Quando eu era Heroína Edição da Autora Detalhes da Citação: pp. 53-54 Dados Texto da Fonte: Nossa infância, despreocupada de problemas financeiros, teve seu fim. A irresponsabilidade de um auxiliar, amigo infiel, aproveitando-se de uma grava doença que acometeu Pai, tendo como consequência seu afastamento do serviço, onde era o chefe, provocou grande desfalque, na repartição. Não fora um atestado do médico, Dr. Soter, provando que nas datas do desvio das verbas, Pai estava entre a vida e a morte, vítima de tifo, as consequências, para ele, teriam sido as mais desastrosas. Mas, as finanças da família sofreiram seus efeitos. Um a um, todos os bens do casal foram vendidos, procurando indenizar os desfalques ocorridos, que apareciam, aos poucos. Nada sobrou. Terras, gado, sítio, jóias, tudo foi vendido. A própria casa, onde residíamos foi hipotecada. As empregadas foram despedidas. Aulas extraordinárias suspenças... Naquela ocasião, admirável foi a atitude da professora D. Amita que não interrompeu as aulas de piano que dava a Tetela, continuando a ministrá-las, gratuitamente. Tornando-se pianista, Tetela, por muito tempo, tocou no cinema, que era mudo, ganhando algum dinheirinho com que ajudava na despesa da casa. Foram duros anos que se seguiram. Os filhos mais velhos, transferiram-se para a Capital, onde iriam completar os estudos e conseguir algum emprego. Cada qual cuidou da sua vida. E muitas vezes, mandavam-nos algum dinheiro, que sempre chegava em muito boa hora. Mãe e filhas faziam todo o serviço doméstico. Cozinhavam, lavavam, engomavam, costuravam. Mas tudo era feito como em "mutirão", cada uma se encarregando de uma tarefa, que era executada, alegremente, eu bem me lembro. Havia momentos de lágrimas, sim. Era quando se desejava um vestido ou sapato novo e não conseguia, ou ir ao Cinema, o que acontecia raramente, por medida de economia. |
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O Farol - orgão oficial do Ginásio Escolar Prof. Leopoldo Miranda Belo Horizonte Detalhes da Citação: 31/10/1868 Dados Texto da Fonte: Começou seus estudos na antiga Escola Normal e no Externato. Diplomado em 1888, foi nomeado professor da Escola Adjunta de Piedade de Minas Novas, hoje cidade de Turmalina, em agosto de 1889. Era, então, um jovem de 21 anos de idade, cheio de idealismo e confiante no futuro. Seus companheiros de mocidade duvidaram de que fosse capaz de enfrentar tão espinhosa missão. Na verdade, assumir uma cadeira de Professor Primário, em um remoto Arraial no Norte de Minas, à 250 km de Diamantina, exigia muito espírito de renúncia e sacrifício. Mas o jovem Leopoldo tinha acesa no espírito a chama do ideal. Ele se sentia como o portador de um fogo sagrado, que lhe cabia conduzir para iluminar o Altar da Pátria. Aceitou a grave investidura e partiu, com a alma dilacerada pela saudade. Em Diamantina ficaram as doces recordações da mocidade, os colegas de estudo, os inesquecíveis companheiros das diversões, das caçadas e das serenatas. Acima de tudo, ouviu a voz do dever que o chamava. Partiu em companhia de um colega de estudos, que era também um companheiro ideal, outro grande nome do magistério mineiro - o Professor Artur Queiroga. Os dois jovens montaram a cavalo em Diamantina e seguiram viagem por vários dias consecutivos, através de chapadões desertos, até chegarem ao respectivo destino. Leopoldo de Miranda assumiu a cadeira da Escola Adjunta de Piedade de Minas Novas e Artur Queiroga foi assumir a cadeira da Escola da Sede do Município, na cidade de Minas Novas. Podemos imaginar as amarguras que devem ter sofrido aqueles dois jovens, em plena mocidade, separados das suas família, para alfabetizarem crianças daqueles lugarejos distantes. Mas eram impelidos por sua verdadeira vocação de Mestres e seguiram seu ideal, com fé e confiança. Leopoldo assumiu sua cadeira em 18 de agosto de 1889 e ali exerceu o magistério até o fim do ano de 1890. Em 1892, foi nomeado Professor da Escola do Pinheiro, outro pequeno arraial, porém mais próximo de Diamantina. Lá exerceu o magistério até o ano de 1898, data em que a chamada "Lei do Repouso" suprimiu todas as escolas rurais de Minas Gerais. Regressando a Diamantina, aí se casou com a também professora Maria Mercedes Mourão de Miranda. Continuou a residir naquela cidade, onde exerceu os cargos de Escrivão de Coletoria, Coletor Estadual e Coletor Municipal, sucessivamente, até o ano de 1931. Nunca, porém, se afastou do magistério. Lecionava sempre e colaborava assiduamente nos jornais que se editavam em Diamantina, entre os quais, "O Aprendiz,", "A Diamantina", "O Operário" e "Cidade de Diamantina". Havendo sido extinta antiga Escola Normal, a mocidade diamantinense que concluia o Curso Primário não podia continuar seus estudos, a não ser nos internatos do Seminário ou do Colégio Nossa Senhora da Dores. Preocupado com este problema, Leopoldo convocou uma reunião de pessoas ilustradas da Cidade e, no dia 12 de outubro de 1913, fundou a Escola Normal Américo Lopes, que começou logo a funcionar. Em 4 de maio de 1914, recebeu a Escola a visita oficial do então Presidente do Estado - Júlio Bueno Brandão e do seu Secretário Américo Lopes - que ali mesmo assinaram o decreto de reconhecimento. Esta escola funcionou ininterruptamente, da data de sua fundação, até o ano de 1928, tendo formado muitas gerações que por lá passaram. Mas pouca gente sabe com quantas dificuldades defrontaram aqueles mestres e quantos sacrifícios tiveram de fazer, para que o estabelecimento continuasse funcionando. Os professores trabalhavam de graça, não recebiam vencimentos e, muitas vezes, eram obrigados a tirar dinheiro do próprio bolso, para a compra dos móveis que guarneciam a Escola. Aquilo foi obra de abnegados apóstolos da causa do ensino. Em 1929, foi a Escola oficializada pelo Governo do estado e só então os Professores começaram a receber remuneração dos cofres públicos. A 23 de março de 1938, já velho e cansado, transferiu-se para Belo Horizonte. Sofria, porém, de nostalgia da sua velha cidade e procurou o derivativo da vida rural. Passou a morar em uma Chácara, no bairro da Pampulha, onde se sentia bem, em contato com a natureza. O amor à gleba, herdado de seus pais e fixado na infância, que transcorreu feliz na Fazenda do Tijucussu, foi uma constante na vida de Leopoldo. Mas os afazeres da chácara não lhe tiraram o zelo do magistério e nem lhe extinguiram a vocação de professor. As horas vagas, do dia e da noite, ele as dedicava a lecionar gratuitamente aos meninos da vizinhança. Assim colaborou com a causa do ensino, durante toda a sua longa vida, com humildade e modéstia, mas com abnegação e perseverança. Estava convencido de que o Brasil só se tornaria uma nação poderosa quando eliminasse o analfabetismo da população. Acalentou essa grande idéia até às vésperas de sua morte. Foi sepultado no Bonfim, no Carneiro 134, do Quadro no. 53, em Belo Horizonte. Nota: Edição comemorativa do Centenário de Nascimento de Leopoldo Luiz de Miranda. |
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A Voz do Norte Periódico Semanal Detalhes da Citação: Anno 1 - 23/12/1917 - no. 23 Dados Texto da Fonte: [discurso proferido na sessão solemne de encerramento do anno lectivo e entrega dos diplomas de Normalistas e certificados de promoções da Escola Normal Américo Lopes] Exmos. Snrs, Minhas Senhoras, Snrs. Professores da Escola Normal "Américo Lopes", meu caros alumnos, Snrs. Normalistas. Outro que não eu devia occupar este logar de Paranynpho. Outro que não eu devia desempenhar esta tarefa. A razão disto assalta aos olhos menos experimentados, aos espíritos pouco atilados. Já o dissestes a meu respeito muitas verdades, e entre ellas, uma diz que sou um andarilho de perigrinação longa, que tenho supportado os rigores da viagem, as calmarias dos desertos, as incertezas do rumo, o frio das regiões polares, as miragens da sêde, por invios caminhos, atravessando precipícios, alcantiladas montanhas, vadeando rios, atravessando mares, indomitos e encapellados, em embarcações frageis, vendo perigar a equipagem, sossobrar a nao, perdendo-se todo o roteiro e com elle uma somma enorme de sacrifícios! Já o dissestes, e eu comprehendi a verdade do espírito observador que, qual a fita cinematographica, apanha em todos os gestos e movimentos - os sentimentos de alegria ou de pesar, de dôr ou de mêdo, de horror ou de odio, collocando sempre uma interrogação ou admiração ou reticencia conforme o gesto ou movimento! Um andarilho que passa por todas essas peripécias está com o espírito obscuro, com os nervos enfraquecidos com a vontade abalada: é um juiz que julga, não tendo em vista as peças do processado, mas como testemunha de vista, que sabe mais alguma cousa além das que foram ditas para esclarecimento do delicto! Por isso é que, em certas nações civilisadas os jurados devem ser alheios completamente ao conhecimento do crime para darem o seu veredictum imparcial e justo! Por todos estes motivos parecia-me que iria exercer um caso de suspeição, mas ao mesmo tempo raciocinei: negar-me a este convite delicado e filial, jamais poderia fazer!? Julgar um conhecimento de causa, condennando um criminose é menor crime do que condemnar um innocente por falta do mesmo. Assim, pois, eis-me aqui esforçando-me para corresponder o vosso ideal, esforçando-me para julgar com imparcialidade. Fostes os meus companheiros nessa longa perigrinação! Tiveste a princípio incerteza do rumo, e ainsuborinação da equipagem tomava proporções assustadoras! Depois o escaceamento de viveres amotinava outra parte de companheiros! A viagem estava sendo feita com a carta geográphica á vista, mas era errada, diziam elles, e eu e os outros peregrinos seguiamos a direcção! Quando discutiamos os accidentes da penosa viagem, o piloto veio anunciar a approximação de terra! Logo em seguida, de todas as boccas partia o mesmo grito: terra! terra! Senhoras normalistas! Cantae hoje o triumpho, a batalha empreendida por vós chegou ao termo. Os vossos sacrifícios e os de vossos pais não foram em pura perda: colheis hoje os louros de vossa victoria. Terminastes vossa tarefa? Não; vae agóra começar. Precisamos dar combate á ignorancia, ao analphabetismoe ao vicio - os maiores câncros que corróem o organismo social; a maior lepra que consome a riqueza; o maior viros que attaca as celulas de organismo são! Achaes, pois armados a cavalleiro, em corcel fogoso e veloz, com esporas de prata para romper todos os perigos que se vos antolham! É ignorante o carvoeiro que não descobre meios para tornar productiva a sua insdustrea! É ignorante o lenheiro que não sabe levar em conta os dias de trabalho com o aluguel dos animaes! É ignorante o sapateiro que não ajunta opreço da matéria prima com o serviço empregado! É ignorante o lavrador que não conhece os processos da moderna cultura para facilitar o trabalho e augmentar a producção! É ignorante o industrial que não addiciona o trabalho de operário com os artefactos necessários! É ignorante o negociante que vende sua mercadoria com uns tantos por cem, sem saber qual seu verdadeiro custo! É ignorante o pai de familia que não educa convenientemente seus filhos, ou qe satisfaz seus caprichos cavando com isso sua desgraça! É ignorante o empregado público que não desempenha os deveres de seu cargo! É ignorante o jornalista quando mente as suas idéias vendendo sua reputação! É ignorante o sacerdote quando prega em público santas doutrinas e em particular aconselha o estupro o latrocínio e a infelicidade no lar! É ignorante o escrivão quando se insubordina contra seu superior, e não guarda as devidas reservas de seu cargo! É ignorante o juiz qeu lavra uma sentença contra a parte fraca, quando a perseguição está do lado oposto! É ignorante o administrador que deixa correr á revelia os mysteres de seu cargo, entregues a subalternos! É ignorante o Presidente do Estado que não distribue os impostos ou rendas, equitativamente a todos os municipios, em suas diferentes regiões! É ignorante o Presidente da República que não vela pela Constituição, pela vontade do povo, pelo progresso de sua pátria, pela honra e integridade territorial. É ignorante a esposa que dilapida a fortuna da família com vindicta a seu marido. É ignorante o cidadão que viola o segredo de sua profissão! É ignorante a mãe de família que deixa os filhinhos entregues aos mascaras para frequentar igrejas e theatros! É ignorante o cidadão que não pesa as palavras para fallar em público. É ignorante a senhorita que exige de seos pais sacrifícios pecuniarios superiores a seu orçamento! É ignorante o indivíduo que gasta mais do que ganha! É ignorante o cidadão que vangloria dos males alheios, mesmo do proprio inimigo! É ignorante o indivídio que se embriaga como lenitivo a seus males! É ignorante o indivíduo que avassalha a honra alheia mesmo com as provas concludentes! Os vícios são prejudiciais; de todos elles o da embriaguez e o do jogo de azer devem ser combatidos. É o alcoolismo o maior factor da desgraças da humana raça! é A fonta de todos os vícios! Conta uma lenda que o demonio offereceu as riquezas mundanas a um filho obediente e bom sob a condição de esbordoar a seu pae, á sua mãe e sua irmão ou embriagar-se. Neste último estado commetteu todos os crimes! Os jogos de azares delapidam as furtunas, levando a miseria ao lar! Há virtudes que degeneram os vicios: a caridade em prodigalidade; a religião em fanatismo; a economia em avareza; a obediência em cervilismo. Medius consisto de virtus. Contra todos os vicios deveis oppor diques formidaveis. Dar combate a todos os males é vossa obrigação! Combate sem treguas, sem medir sacrifficios, e até com o vosso próprio sangue! Os nossos males não vêm de nossa forma do Governo, esim da pessima educação intellectual e moral, dos conchavos, das negociatas, das prevaricações! Dir-me-ão os que me escutam que estou levando a festa para um outro ponto; mas não: é a última vez que fallo aos meos allunos de cáthedra, e quero que guardeis os meus conselhos aqui resumidos eos compareis com o que foi pregado durante 4 annos de vida escolar! Se nelles não vereis a synthese das lições bebidas no exemplo dos grandes vultos da história! Jesus Christo foi crucificado no intuito de plantar sans doutrinas entre seu povo! Solon organisou leis que até hoje são compendiadas em nossas Constituições! Júlio César organisa o Calendário! Newton descobre a força de gravitação! Archimedes a lei da densidade dos corpos! Goutemberg - a imprensa. A bussola, a polvora, a ellectricidade são outros tantos factores do engenho humano! Devemos elevar o patriotismo de Leonidas nos desfiladeiros das Termiphylas, comparando-o com o nosso heróe general Gomes Carneiro no cerco da cidade da Lapa. Aristides, no estreito de Mycalla é comparável com o general Osório, na passagem do Humaytá! Christovam Colombo e Pedro Alvares Cabral descobrem a America e o Brazil! Brunelleschi e Bramante tornam-se celebres na architectura; Lourenço Ghiberti - o primeiro na escultura. Miguel Angelo, Leonardo da Vinci - na pintura. Nicolao Copernico desmonta o systhema planetario de Ptolomeu, Rabelais Erasmo na literatura; Montaigne, Amiol - na poesia; Shakespeare - nas tragédias, romances, dramas e comedias; na theologia - Fr. Bartholomeu dos martyres! Danton, Robespierre, Marat e muitos outros derrubam a Bastilha, implantnado o direito do homem - tendo por lemma liberdade, igualdade e fraternidade! É obra da revolução Franceza! Há tambeém indivíduos que se tornam tristemente celebres! Judas Iscariota trahe a Jesus! Joaquim Silverio dos Reis a Tiradentes! Erostato queima o tempo de Diana para se immortalizar! Paiva assassina a Pinheiro Machado! Hyppias offerecendo os seus serviços aos Persas contra sua patria é comparável a Fernandes Calabar que passou para o campo Holandez contra o Brasil! Kaiser - lança a conflagração mundial, fanatisando um povo, por interesses de commercio, de conservação de velharias! E assim muitos outros! Se alguma cousa resta a vos dizer, supprirá o vosso saber! Agradeço-vos a nimia gentileza da escolha de vosso paranynpho! Este logar foi o anno passado abrilhantado pela figura sympathica do Exm. Snr. Américo F. Lopes! É assim a vida - toda de contrastes! Desejo que ao voltardes do aconchego do lar, acaricieis a vossos pais - vossos benfeitores! Tenhais o cumprimento do dever acima de tudo! |
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Família com Pais |
| Pai | |
| Mãe | |
| Irmã | |
| Irmão | |
| Irmã | |
| Irmão | |
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| Irmão | |
| Irmã | |
| Irmã | |
| Irmã |
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Família com Maria Mercedes Corrêa de Oliveira Mourão |
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| Esposa | |
| Filha | |
| Filho | |
| Filho | |
| Filho | |
| Filho | |
| Filho | |
| Filho | |
| Filho | |
| Filha | |
| Filha | |
| Filha | |
| Filha | |
| Filho | |
| Filha | |
| Filha | |
| Filho |
Assistente de Pesquisa
Detetado Robo de Site de Pesquisa: CCBot/ http://www.commoncrawl.org/bot.html
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