Dados Pessoais e Detalhes
| Nascimento | 11 Junho 1896 47 42 Diamantina, MG |
| Batizado | 10 Agosto 1896 (Idade 1 mês) Diamantina, MG
Detalhes da Citação: Caixa 299 Livro 1889/1897 - fl. 279 Texto da Fonte: Aos dez de Agosto de mil oitocentos e noventa e seis, de licença, o Revmo. Pe Felix Natalicio de Aguiar, na Capella do Bomfim, baptisou solemnemente o innocente Antonio, filho legitimo de João Avelino Pereira e de Firmiana Angélica Neves Pereira, nascido a onze de Junho do mesmo anno. Foram PP. Vigario Antonio de Sousa Neves e D. Maria Flora Dias Pereira por procuração apresentada por D. Honorina Augusta Pe= reira Leão. Vigario Antônio de Sousa Neves [nota:] O mesmo aos onze dias do mez de Junho do anno de mil novecentos e vinte três casou-se em Oratório privado, em presença do Exmo Vigario Geral Dom Antonio José dos Santos, Bispo Auxiliar e na das testemunhas João Avelino Pereira, Paulo Mourão .............., com Maria Nilda Mourão Miranda, filha legitima de Leopoldo Miranda e Maria Mercedes Mourão Miranda, solteira, com edade de vinte dois annos, nascida e baptisada nesta Freguezia de Santo Antonio da Sé, Arcebispado de Diamantina. Vigario Monsenhor Antônio de Sousa Neves. |
| Casamento | 11 Junho 1923 (Idade 27) Maria Nilda de Miranda Mourão - Diamantina, MG
Detalhes da Citação: Livro de Batismos - Caixa 299 Livro 1889/1897 - fl. 279 Texto da Fonte: Aos dez de Agosto de mil oitocentos e noventa e seis, de licença, o Revmo. Pe Felix Natalicio de Aguiar, na Capella do Bomfim, baptisou solemnemente o innocente Antonio, filho legitimo de João Avelino Pereira e de Firmiana Angélica Neves Pereira, nascido a onze de Junho do mesmo anno. Foram PP. Vigario Antonio de Sousa Neves e D. Maria Flora Dias Pereira por procuração apresentada por D. Honorina Augusta Pe= reira Leão. Vigario Antônio de Sousa Neves [nota:] O mesmo aos onze dias do mez de Junho do anno de mil novecentos e vinte três casou-se em Oratório privado, em presença do Exmo Vigario Geral Dom Antonio José dos Santos, Bispo Auxiliar e na das testemunhas João Avelino Pereira, Paulo Mourão .............., com Maria Nilda Mourão Miranda, filha legitima de Leopoldo Miranda e Maria Mercedes Mourão Miranda, solteira, com edade de vinte dois annos, nascida e baptisada nesta Freguezia de Santo Antonio da Sé, Arcebispado de Diamantina. Vigario Monsenhor Antônio de Sousa Neves. |
| Falecimento | 12 Novembro 1989 (Idade 93) Diamantina, MG |
| Identificador Universal | 17ADB8BB71F0D411940BB2D38610DA5A6B2D |
| Sepultamento | Diamantina, MG |
Notas
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Antônio Gabriel Pereira não possuia o sobrenome do pai com o qual ficou mais conhecido de sua gente: Antônio Avelino. No ano em que completaria 100 anos, seus filhos organizaram uma celebração que durou 4 dias e movimentou grande parte de Diamantina. A celebração começou a ser organizada com três meses de antecedência com o lançamento de um jornalzinho, "100 Antônio Avelino" que rendeu nove edições até sua substituição pelo "Cem Com Nilda", outro periódico familiar para antecipar as preparações do centenário de sua esposa. Neste jornalzinho foram publicadas inúmeras poesias e outros tantos casos de filhos, netos, bisnetos, amigos e admiradores de Seu Antônio. |
Fontes
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Diamantina, uma Saudade Editora O Lutador. Belo Horizonte, 2002. 2a. Edição. Detalhes da Citação: p. 43 Dados Texto da Fonte: Dos terrenos do ginásio, podia-se ver a família do Seu Antônio Avelino, do outro lado da cerca, cuidando da horta viçosa e do pomar de laranjas, com pés de todas as qualidades. Ajudado pelos filhos, ele estava sempre ali, mexendo na terra, adubando, aguando ou capinando, com um chapéu de palha à cabeça. Eu pensava comigo: o trabalho dessa família um dia traria outros frutos bem mais valiosos... |
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Caderneta manuscrita por Firmiana Neves Pereira Publicado no Jornal Cem Com Nosco - Ano VIII - No. 159 de 29/06/2003 |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 02 - 03/1996 - Joaquim Ribeiro Barbosa Dados Texto da Fonte: O Semeador Há coisas de minha infância em Diamantina que não me saem da memória. E o engraçado é que nem são fatos assim relevantes ou notáveis, mas aspectos do dia-a-dia de uma cidade ainda bem pequena e provinciana, em que a riqueza de seus habitantes se media pelos rádios, pelas geladeiras, pelos colchões, novidades que bem poucos podiam ter. Ora, morava nossa família na Praça do Mercado, em casa grande a assobradada, mas que não dispunha de mísera nesga de terra para plantio de canteiros. Por outro lado, os tropeiros traziam de tudo - toucinho, rapadura, frango, frutas, farinhas, - mas verdura mesmo, como alface, couve, taioba e outras folhas, - talvez por perecíveis, ou pela pouca informação de seu valor nutritivo, - nenhuma delas se encontrava no mercado. Daí é que, bem menino ainda, era mandado a procurá-las nas poucas casas com horta cujos donos tinham o hábito e cuidado de cultivá-las, a saber-lhes se queriam vendê-las, que custavam pouco nos pequenos feixes. Não me esqueço de que no Beco das Gaivotas, quase esquina com o Burgalhau, bem perto de minha casa, portanto, era onde mais gostava de comprá-las. Não só pela pouca distância, mas pelo viço que as plantinhas apresentavam. Segundo se dizia, em razão de os quintais daquelas casas já terem sido cemitério. Devendo-se a boa qualidade das verduras à estercagem, à matéria orgânica dos primeiros mortos desse arraial de outrora. Como fosse o solo ali muito preto, punha eu na cabeça terem sido enterrados naquele sítio apenas negros escravos. Com o passar do tempo, e para tristeza de minha mãe, mudei de vez de freguesia. Acabei descobrindo, muito mais longe, um senhor que tinha um quintal de primeira, onde colhia das melhores verduras da cidade, a despeito de não guardar a sua gleba qualquer vestígio de ter sido um dia cemitério, quer de negros, quer de brancos. Para dizer a verdade, nem sei bem o que me cativou, levando-me a andar muito mais que o costume. Se a longa distância, que me dava mais tempo justificado de ficar vagabundeando pelas ruas. Se o conhecimento de outras tribos de moleques, com sua bolas de gude, suas disputas de "finca" e tantas outras brincadeiras simples e gostosas daquela época. Penso até que nem era nada disso. Talvez fosse mesmo a própria demora com que o dono da casa me atendia, puxando conversa, a explicar que tal verdura estava aquela beleza pela semeadura na minguante, ou que aqueloutra, nem tanto, prejudicada pelo eclipse, e por aí afora. O interessante de tudo é que fiz de caminho da roça as idas à sua casa. Quando fui descobrindo que a demora em despachar-me, longe de desatenção, era um traço de seu modo de ser e de servir - a uma criança que fosse. Saía ele pela horta, que tão bem conhecia, pois que envelhecia a cultivá-la, catando as mais bonitas folhas, aquelas que certamente colheria para a numerosa família. Finda a tarefa, trazia ele - não molhes, mas verdadeiros buquês de verdura, - em que nunca vi falhado o cuidado de amarrá-los com embira, acrescentando-lhes, ainda, a cada um, firme laçada, para facilitar o pendurá-los nos dedos, com segurança e comodidade. À guisa de "pinga", raramente esquecia de enfiar, entre os amarrados, folhinhas de salsa, louro, cebolinha, cordialidade e tempero da casa. Ano após ano, a cidade foi crescendo, modernizando-se. Chegaram os japoneses, os CEASAS, os supermercados, os sacolões, perdendo assim, sua personalidade até mesmo as hortaliças que comemos. Em lugar de esterco de curral, veio o adubo químico, o agro-tóxico. Substituindo os cipós, surgiram o fitilho e o saco plástico. E o mais grave de tudo, perderam as folhas seu referencial de afetividade, seu rituais, exercitados ali, entre a demora da colheita e o menino andejo que esperava. Conheci "Seu" Antônio Avelino no mesmo tempo em que ia também me familiarizando com Diamantina. Só que, de início, tinha ele várias vezes a minha idade. Mas o tempo, que tanto nos distanciava, foi-se encurtando. E, quando me dei por gente, podia ser meu pai ou avô, mas nunca meu bisavô. Como também a cidade surpreendeu-me, mostrando-me, cada vez mais, sua beleza, sua cultura, sua tradição e hospitalidade, oferecendo-me, em carinhosa adoção, o mesmo peito em que aleitava ao próprios filhos. Hoje, já tão distante a meninice, vejo que o "Velho Antônio" não apenas semeava canteiros, nem tinha nas embiras meros barbantes. Muito menos, sabia, por saber, das fases da lua, dos bons pesqueiros e daquela experiência que leva os mais vividos a contar casos e mais casos. Na verdade, semeou e ensinou como semear, entregando-se, à semelhança da embira, fibra por fibra de um viver exemplar, enfeixando-se, e aos que o cercavam, com laçadas firmes de humildade, honradez, probidade, a relembrar, através dos tempos, que não era um simples contador de casos, mas singular personagem e obreiro da rica história diamantinense. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 3 - 04/1996 - Wanda Motta Dados Texto da Fonte: Seu Antônio Avelino Este nome me traz recordações alegres de uma infância feliz e saudosa. Eu e meus irmãos tivemos a felicidade de termos como vizinhos Seu Antônio, naquele recanto agradável do Arraial dos Forros. Seu filhos, Ninita, Horácio, Giovanni, Detinha, Nentá, tinha quase as mesmas idades minha, de Zilah, de Josefina, Antônio e João; por isso mesmo, éramos como se fôssemos uma mesma família. Nas tardes ou manhãs cheias de sol, conforme o trabalho de Seu Antônio no telégrafo, íamos para os adoráveis passeios pelos nossos campos floridos, como na Perpétua, Biribiri, Cristais, etc. No tempo das gabirobas, era uma festa colhê-las nos pés e trazermos as sacolas cheias de deliciosas frutinhas. O trajeto era divertidíssimo. Seu Antônio esperava que estivéssemos distraídas e desaparecia. Ficávamos procurando-o por toda parte e nada. Quando de repente, ele vinha por trás de um e dava um bote no calcanhar, como se fosse uma cobra. Era uma gritaria sem fim. E quando íamos nadar? Era melhor ainda. No Rio Grande tinha um enorme poço e lá aprendemos a nadar com ele. Um dia, a minha mãe, que era muito medrosa, falou com ele assim: "Antônio, isto é um perigo estes meninos neste poço." Ele respondeu de pronto: "Vá lá para você ver como é um pocinho pequeno." Depois disse para nós: "Se ela for, adeus natação." Seu Antônio pôs apelidos nos meus irmãos, que duram até hoje: China, Zi, Tuninho, João Búia. Lembro nítidamente da sua pequena figura alegre, simpática e jovial. Hoje eu o admiro mais ainda, a alegria de viver de Seu Antônio. Um homem com tantos filhos, um trabalho árduo no telégrafo, e tinha a paciência de ajuntar a criançada para passear, cantar, nadar e correr por nossas campinas, serras e rios. Não conheço ninguém como Seu Antônio Avelino. Saudades mil! |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 6 - 05/96 - Maria Romana de Souza Dados Texto da Fonte: TEMPOS ANTIGOS Eu trabalhei na casa do Sr. Antônio e convivi com ele e com a sua família durante 8 anos. Sr. Antônio foi um pai exemplar, mas muito nervoso. Eu, muitas vezes, discutia com ele por causa dos seus filhos, pois este os punha de castigo na despensa e eles me gritavam: "Ô Mazinha, pede papai para me tirar daqui." Eu pedia e o Sr. Avelino ficava bravo comigo e falava que ele não podia corrigir os seus filhos porque eu não deixava, mas atendia os meus pedidos. Giovanni tinha uns 3 para 4 anos e tinha apelido de Vaíco. Horácio, um pouco mais velho, tinha o apelido de Jaço. Um dia, Vaíco jogou o regador de molhar a horta dentro da pipa d’água. Sr. Antônio ficou muito bravo com ele e queria bater nele. Ele correu e se escondeu no meu avental na beirada do fogão. Sr. Antônio chegou para bater nele e eu disse: "Se o senhor bater nele tem que bater em mim também." Como ele não podia bater em mim, saiu de perto de nós com muita raiva. D. Nilda, como sempre, para contornar a situação, falou com ele para não ficar assim tão nervoso, pois esse tipo de comportamento meu, era porque eu gostava muito dos filhos dele. Eu gostava muito do Sr. Antônio, nós dois brigávamos muito, mas só por causa dos seus filhos. Mas toda vida ele foi um bom patrão e nunca me tratou como empregada. Nunca teve nenhum tipo de separação. Zelava muito por mim e me considerava muito. Eu só saí da companhia do Sr. Antônio depois da morte de Marco Antônio, pois era eu quem cuidava dele e não pude suportar a sua falta, já que tudo naquela casa me lembrava ele. Depois que eu saí da casa do Sr. Antônio, ele continuou sendo meu amigo e amigo da minha família. Nos visitava sempre que podia, nos momentos alegres e nos momentos difíceis também. Senti muito a sua morte, pois perdi um grande amigo. Rezo por ele todas as noites e peço a Deus que olhe por ele, onde ele estiver. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 8 - maio/1996 - Mabel Cordini Dados Texto da Fonte: As Palavras e Seus Significados Sempre fiquei grilada com algumas palavras e frases, por não entendê-las totalmente ou por não achar utilidade ou aplicabilidade das mesmas no dia-a-dia. Uma palavra e uma frase foram arrastadas desde minha vida de adolescente até hoje, sem achar onde usá-las: ubiquidade e "nossas sombras são maiores que nós mesmos..." Esta última frase foi lida quando o que eu sabia era que as sombras físicas mudam de acordo com a posição do sol, mas o autor(a?) se referia à grandeza que está dentro de nós mesmos e que nem sabemos, por ser tão difícil a prática de olhar para dentro de nós. Aliás, José Saramago no seu último livro "Tratado Sobre a Cegueira", falando sobre a moral social, diz "..., e, como se tanto fosse pouco, fizemos dos olhos uma espécie de espelhos virados para dentro, com o resultado, muitas vezes, de mostrarem eles sem reservas o que estávamos tratando de negar com a boca..." (pg. 26). Pois neste emaranhado de palavras, frases e interpretações - quem quiser que interprete e guarde para si - é que encontro o Sr. Antônio, nosso querido amigo de caminhada... Ubiquidade é, segundo o dicionário, a "faculdade de se achar ao mesmo tempo em todos os lugares" e eu sempre relacionei isto com um ar de divindade. Hoje, depois de ler os artigos magníficos sobre o Sr. Antônio, escritos por pessoas que conviveram com ele, nas mais diversas situações da vida: no amor - com sua amada-amante Nilda - , com seus filhos, genros(as), com os aniversariantes, educandos - filhos puxados pela orelha, corrigidos na hora certa - , com os sobrinhos, com os amigos - pescarias, passeios - , com a natureza - horta, flores, tico-ticos, gambás, galinhas, cachorros - , encontrei em quem depositar esta linda e extravagante palavra... Pois sim, Sr. Antônio teve o dom da ubiquidade, sempre da mesma forma, correto, humilde, grandioso e sensível ao ser humano em todas as suas pequeninices e "grandices"... ele entendeu e viveu o amor em todas as suas dimensões. Explicar a frase de que somos maiores que nós mesmos é difícil, porque isto só pode ser enxergado pelos demais, com o tempo, com o somatório de tudo o que fomos e somos nos demais que passaram por nós. Este acerto final é na vida de Antônio Avelino compensador: aí estão todos com a reverência àquela pessoa "pequena, esperta, ágil, compreensiva, dedicada, carinhosa, delicada" que com o tempo desperta atenção até daqueles que não conviveram com ele, mas que conheceram-no por terceiros. Assim, seus bisnetos falam da saudade de um ser que lamentavelmente não conheceram: basta ver o que escreveram Mariana, Joana, Mateus. De uma coisa estou certa: nunca uma festa tão estranha na sua concepção e tão complicada na sua organização recebeu tantos adeptos, fez ocorrer tantas festas paralelas, e trouxe tantas risadas e alegrias a recordar aquele passado tão presente em todos nós. O amor do Sr. Antônio a tudo e a todos, à vida em si. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 8 - maio/1996 - Lilita Guedes Dados Texto da Fonte: Carta Antigua Antônio Avelino, meu chefe, meu colega, meu grande amigo! Bons tempos aqueles em que convivemos na sala de aparelhos dos Correios e Telégrafos. Éramos uma família. Para lá levávamos nossas alegrias, nossos problemas e tínhamos sempre a palavra amiga do Sr. Antônio para nos ajudar a resolver. Quantas saudades o senhor deixou! Homem de uma simplicidade incrível, um coração de ouro e uma sabedoria invejável! Sempre alegre e brincalhão, contava cada caso... "... havia no Beco da Cadeia uma mulher que ficava na janela todas as noites para ver o que se passava na rua e comentar com as vizinhas no dia seguinte. Tinha uma língua danada! Certa noite, estava ela na janela, quando viu subindo pelo beco uma procissão. Ficou intrigada: uma procissão a esta hora? A procissão foi passando e todos os integrantes levavam uma vela acesa. Nisto, saiu da ala uma mulher e disse: segura para mim esta vela, que amanhã a esta mesma hora virei buscá-la. A procissão seguiu e quando terminou de passar, qual não a surpresa da mulher! Tinha na mão um osso e não uma vela. Ficou horrorizada, mas tinha que devolver à dona. Na noite seguinte, ela ficou novamente na janela para entregar o osso. Na hora combinada, lá vem a procissão. A mulher passou, pegou o osso, que logo se transformou novamente em vela acesa, e lá se foi! Foi um horror! E desde esse dia, a fofoqueira nunca mais quis saber de tomar conta da vida alheia"... Um fato pitoresco aconteceu quando minha filha Fátima tinha dois anos e meio. Naquela época, todos os sábados muitos pedintes batiam nas portas pedindo esmolas. Seu Antônio sempre passava em minha porta, indo à pescaria, e era uma figura muito engraçada! Seu traje: sandália de pneu, muito usada na época, roupa surrada, chapeuzinho velho, uma sacola pendurada ao ombro e a vara de pesca. A Fátima estava na porta, quando ouvi a vozinha dela: "Pera’í, vovô, que eu vô buscar esmola procê, viu?" Ela entrou correndo dizendo: ‘Mamãe, tem um vovô pedindo esmola!’ Coloquei um pouco de açúcar num potinho que eu usava para este fim, e ela logo gritou: "eu qui levo, eu qui levo!" Entreguei para ela mas a acompanhei até à porta. Meu Deus! Que surpresa! Era seu Antônio indo para a pescaria! Ele começou a rir; eu toda embaraçada, tentando me desculpar, mas quanto mais eu me desculpava, mais ele ria! Ele abraçou a Fátima, rimos muito, e lá se foi ele, rumo ao rio da Palha, buscar seus peixinhos. Este episódio ficou marcado, jamais foi esquecido. A Fátima foi crescendo, entrou para a escola e ele sempre que a encontrava, perguntava, "E a minha esmola?" Era sempre assim, até a Fátima ficar moça e se casar. No dia do casamento, foi ele quem ajudou na celebração da missa. Após a cerimônia, ele foi o primeiro a abraçá-la, dizendo: "Parabéns, Fatinha; e a minha esmola?" Grande homem foi o Sr. Antônio. Pequeno na estatura, mas grande nas atitudes. Homem culto, inteligente e de uma simplicidade de fazer inveja. Não se orgulhava de nada. Tratava as pessoas de igual para igual. Era um colega, um amigo e um pai. Antônio Avelino,meu amigão,continua bem vivo,no meu coração!Sei que o senhorestá muito feliz;pois infelizé aquele que partee não deixa saudades! |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 8 - maio/1996 - Catarina Spangler Dados Texto da Fonte: Recordações Estávamos em Diamantina de passagem, Arlete e eu, e fomos ao hospital visitar seu Antônio Avelino. D. Nilda tinha ido para casa almoçar. Entramos no quarto e ele estava deitado de lado, virado para a parede. Chegamos perto e o cumprimentamos. Ele não respondeu. Parecia dormir. Assentamos e ficamos em silêncio. Emocionada, comecei a recordar minha infância, a convivência com seu Antônio Avelino, D. Nilda, Ninita e a meninada. Ia muito à sua casa, acompanhando a cozinheira quando ela ia buscar verduras, ou por minha própria conta, para brincar. Gostava de andar pelo jardim, que era muito bonito. Lindas rosas, cravos goivos, hortênsias, giestas e orquídeas. Ele apanhava as verduras e íamos ao pomar, onde sempre havia o prazer de saborear alguma fruta, por ele oferecida com todo o carinho. Lembrei-me dos passeios no campo, para apanhar gabiroba, com seu Antônio correndo na frente da meninada, fazendo graça. Íamos também à pescaria, onde tínhamos que ficar calados para não assustar os peixes. À tarde, voltávamos alegres e cansados. Senti saudades, foram anos muito felizes. Como tinha que voltar naquela hora para Belo Horizonte, fui para perto dele e falei da minha saudade. Pedindo a Deus por ele, segurei sua mão me despedindo. Quando estava abrindo a porta do quarto para sair, ele disse: ‘Catharina, obrigado! Vão com Deus!’ Voltamos para perto dele, mas ele ficou calado. Saí levando comigo a alegria de ter escutado a sua voz, e uma saudade muito grande daqueles bons tempos. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 8 - maio/1996 - Milton Leite Dados Texto da Fonte: Telegrafista Antônio Gabriel Pereira ANTÔNIO AVELINO, de saudosa memória. Nosso muito estimado colega, amigo e chefe, por muitos anos tivemos o prazer de trabalhar sob sua direção e convívio, do qual muito aprendemos. Muito educado e amável, homem de muita integridade moral, religioso e simples, sabia cativar a todos, de uma memória invejável, contava casos passados com ele e colegas, fornecendo datas e às vezes até minutos dos acontecimentos. O senhor Antônio era casado com D. Nilda, também nossa colega, graças a Deus ainda viva, com seu gênio e qualidades, muito alegre e espirituosa. Pai de família de numerosa prole, que só lhe deu gosto e prazer, todos os filhos criados e formados. Foi um grande betalhador, corajoso, que com força, denodo e fé em Deus, venceu! Ninguém melhor que nós para aquilatar o que ele fez para vencer esta batalha, pois com os vencimentos de funcionário público, não era mole... Sempre lembramos seus casos pitorescos passados com ele ou por ele contados. Como todos sabem, em suas horas de folga da repartição o que mais gostava de fazer eram as pescarias. Saía de madrugada, após a missa de Dom José Pedro, que também o acompanhava, e também seu Clóvis Hugo e mais outros. Certa vez, minha irmã Zulma, ainda garotinha, bateu à sua porta para comprar não sei ao certo se flores ou verduras. Ele mesmo veio recebê-la com seus trajes simples, de hortifrutigranjeiro, roupas usadas naquele tipo de trabalho. Depois de brincar com ela e convidar para entrar, pediu licença e foi pegar a encomenda. Antes porém de acabar de entrar, ouviu-a dizer: "Mas aqui de manhã aparece cada figurinha difícil!..." Aquilo para ele foi uma satisfação; nada comentou com ela, mas, no dia seguinte, ao me encontrar na repartição, veio sorrindo me contar a façanha, achando aquilo a coisa mais engraçada do mundo; rimos muito. Outro fato de que ele gostou e que comentava com os outros foi quando veio a Diamantina uma colega carioca, amiga de Iracema, muito clarissa, margina, de voz quase sumida, tendo ficado amiga de toda nossa turma. Ela só me chamava de MILTINHO. Parecia uma gatinha, como ele classificou. Daí para a frente, passou a imitá-la, só me chamando de Miltinho. Ao encontrar meus filhos, ainda pequenos, chamava-os de Miltinho. Quando eles chagavam em casa, diziam-me: ‘Pai, aquele colega do Sr. mandou um abraço e perguntou pelo Sr. É aquele que só chama a gente de Miltinho!’ Eu falava: ‘É seu Antônio Avelino, nosso amigo." Eles riam: ‘É esse mesmo!’ Tudo isso nos traz grandes recordações dos bons tempos em que trabalhamos e convivemos juntos; guardemos as recordações, e que DEUS o abençoe. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 6 - maio/1996 - Célia Dados Texto da Fonte: A FACE DO AVÔ (Dá licença, viu Chiquinho, pra usar este seu título) ...Mas foi este Antônio Avelino que conhecemos. Não outro. Convivemos com Seu Antônio desde 1.967, depois que viemos casados para Diamantina e nos tornamos vizinhos em 1.970. Márcio já o conhecia antes, pois foi estudante desde os 17 anos, colega de Ricardo, interno do Colégio Diamantinense, quem sabe, até, um dos que andou "visitando" o seu pomar ou o seu galinheiro (?). Depois, aluno de João Meira e de Giovanni, na Faculdade, entrosou-se na família e me trouxe para este convívio tão feliz. Foi um relacionamento carinhoso, espontâneo, amigo. Lembramos de muitos fatos, pois foram 19 anos de vizinhança, de conversas, de festas, de rezas, de vê-lo passar - firma e ligeiro - para as compras, para as andanças, para apanhar o esterco que os cavalos deixavam em nossa grama: - "Oh, Célia, é ótimo para as plantas! Se você não quer, vou levar". E quando ele passava, os meninos gritavam, um depois do outro: Bença, vovô.Bença, vovô.Bença, vovô.Bença, vovô. E ele respondia, paciente e amoroso, abençoando cada um: Deus o abençoe.Deus o abençoe.Deus o abençoe.Deus o abençoe. Ele era assim. Atenções de verdadeiro avô. Nós o considerávamos e sabemos que ele também se considerava. Demonstrava isso. Marcelo, Rodrigo, Sérgio e Márcia conheceram o vovô Antônio ainda forte, alegre e brincalhão. Que pegava a "netinha" no colo e cantava e dançava: "Vem cá, meu Siriri..." E Márcia já lhe dava a mãozinha e sorria, ao embalo da música e dos passos. Verdadeiro dançarino com a linda daminha e que lhe valeu, certa vez, um retrato, com uma dedicatória fazendo alusão aos ciúmes de vovó Nilda (dos quais ele também contava, mas retrucando que "ela, sim, teve um namorado de cada letra do alfabeto"). Para cada um tinha uma brincadeira, um gesto atencioso. Marcelo disse que iria contar sobre o pássaro preto, mas como não sei se ele escreverá, vai aqui o que ele recordou: Vovô tinha um pássaro preto de estimação, há muito tempo, que cantava o Hino Nacional (a gente começava e ele continuava). Deve ter sido vovô mesmo que ensinou, quando cuidava dele, assoviando. Pois não é que num dos aniversários (festejamos juntos o de Marcelo - de julho - e o de Rodrigo - de agosto), vovô chegou com o presente: o pássaro preto, com gaiola e tudo. Sabia como os meninos ficavam encantados com o cantador e abriu mão dele. Coisas de avô. Quando morreu, envenenado com alpiste, nem tivemos coragem de contar. São lembranças do avô, são lembranças do velho amigo: "E ele ainda encontrava forças para subir nas laranjeiras, na mangueira, no pé de limãozinho" para apanhar as frutas e vir nos trazer, todo ano, ele mesmo, aquela cesta sortida e bonita, fazendo questão de dizer: "eu mesmo apanhei". E eu repetia: cuidado, Vovô! Não vá cair. - "Não caio". (Com toda convicção) Quantas vezes me levava ao quintal para mostrar-me, de canteiro em canteiro, suas plantas, suas flores. Com que gosto, com que orgulho de jardineiro! Sabia semear e sabia colher! E ainda a horta. E eu ganhava as verduras misturadas. E era lá, no seu jardim, que eu buscava as rosas para as coroações de Nossa Senhora. Como as escolhia! Mas, do que sinto mais saudade, é mesmo neste mês de maio, no meu aniversário. Era infalível: cedo, tocava a campainha e eu corria para atender (nem dava tempo de trocar a camisola). Era seu Antônio, com um buquê de lindas flores - rosas, margaridas, hortências e outras mais - o primeiro e o mais belo presente, o mais franco sorriso e aquela voz rouca e afável a me dar os parabéns, naquele gesto tão seu! Foi assim, por muitos anos, e isso me calou profundamente no coração. Hoje, recordo, ainda emocionada, os maios que não voltam mais, mas que, a cada ano, me trazem a presença querida do Vovô Antônio, florindo o meu amanhecer, enfeitando o meu dia 17. Nós muito o admiramos e amamos e nos sentimos amados por ele. Por isso, bendizemos a Deus! Guardamos e oferecemos essa face do avô: INESQUECÍVEL! |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 1 - Mariana Figueiredo Dados Texto da Fonte: Antônio Avelino Centenário! O que não lembrarEm 100 anos decorridos?De quem chegava a assobiar,Creio que para se anunciarA esposa muito queridaQue no lar ficava a trabalhar?E lembrava, isto sim, era da vida,Do dia do seu noivado...Quando a noiva ali pedida...Se afasta do recinto, toda chorosaDo local onde era solicitadoAo severo pai, seu consentimentoSenhores, com licença, vou emboraPreciso me retirar, sem demora...E lá dentro, deitou-se na cama...E pôs-se a soluçar copiosamente...Por que seria - receio? Isto nãoPois a data era esperadaCom ansiedade e emoção!...E depois de 4 meses, há alegre comemoração...E na casa ali ao ladoFoi residir o casal enamorado...Sim, os anos foram passando...E ela com seu cabeloQue atraíam o olhar apaixonadoDo jovem marido alvissareiro!E seus negros cabelosEram o melhor meioNele se envolve, feliz...Naquelas mechas, para seu enleio...Mas, um dia que horror...O que acha, oh! Que pavor!Pior que as crises financeiras...As belas tranças foram cortadas...Só dormindo nas bananeiras... |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 4 - Cleonice Mourão Dados Texto da Fonte: Meu Tipo Inesquecível Lembram-se daquela seção de SELEÇÕES, dos idos da nossa adolescência? Pois é, ela sempre impressionou-me marcantemente. Ficava olhando as pessoas, tentando identificar aquela que preenchesse os meus sonhos. Hoje eu sei quem é: ANTÔNIO AVELINO. Era casado com minha prima Nilda. Tinham filhos, especialmente filhas, que eram minhas contemporâneas, daí considerá-las como as irmãs que me faltavam. Passei toda a minha infância e adolescência, convivendo com eles, frequentando sua casa como se fora a de vovó, consequentemente, a minha. O carinho com que fui ali recebida, assim me fazia supor. Como foi marcante a influência de Antônio em minha vida! Com ele aprendi o amor às plantas. Depois da aula, ia para lá e ficava aprendendo como se preparava uma muda... "as de cravo, você corta as pontas das folhas, até uns quatro dedos da raiz. Ponha na cova e chegue a terra; não a aperte em volta. As de goivo e boca de coelho, você semeia e, quando estiverem grandinhas, transplanta". Depois era mostrar os matinhos e com carinho, para não ferir as mudinhas, arrancá-los delicadamente. Como eram belos os seus jardins! E que belos e perfumados os buquês que me arrumava aos domingo, quando ia comprá-los, para Ninah enfeitar a casa! O preço cobrado era sempre simbólico... E a horta? Suas cenourinhas, suas couves, suas alfaces, sempre tinham um gosto diferente... Mas o que me encantava mesmo, eram os passeios no mato. Os piqueniques para catar gabiroba, musgo para os presépios, as pescarias, os passeios aos córregos para nadar... Lembram-se Detinha e Nentá, quando ele se escondia com os meninos e nos deixava tontas e desorientadas no meio do mato, mortas de medo de cobras, bois e lagartos? E ele sempre rindo, brincando e gozando de nossos medos... E aquela enorme traíra que sempre escapava do anzol... Nunca deixei de me admirar de sua alegria, com aquela vida trabalhosíssima que levava, trabalhando as vezes em dois horários puxadíssimos, de manhã e à noite no telégrafo, a fim de substituir Nilda, para que ela não trabalhasse à noite, com aquele número incrível de filhos levados e trabalhosos e com uma alegria de viver invejável. Eu constato mesmo, Antônio, que você sempre será o MEU TIPO INESQUECÍVEL. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 4 - Wanita Mourão Dados Texto da Fonte: Belo Horizonte, 18 de abril de 1.996 Antônio, A primeira vez que eu me lembro de Você, foi quando Você era noivo e vinha noivar no domingo, de dia, e ensinava a Pai tirar mel das abelhas. Você com um longo cigarro de palha ia soprando as abelhas, que se afastavam do favo para Você poder segurar com delicadeza e retirá-lo do caixote, bom repleto do néctar amarelo e dulçoroso. Assim é que todas as vezes que vou à casa de Ninita, quando chego na horta perto da jaboticabeira, eu o vejo tirando mel. A segunda vez que eu me lembro, foi no seu casamento, que teve lugar na capela da casa de vovó. Todas as pessoas, de braço dado, acompanhando Você e Nilda, e o bispo todo paramentado à espera de vocês para fazer a cerimônia. Os comes e bebes seriam lá em casa, e eu toda animada porque estava de olho numa geléia de mocotó que estava me dando água na boca. Porém, mãe me deu as instruções: só depois que o pessoal chegasse do casamento. Distraí-me um minuto vendo o cortejo e quando menos espero não tinha nem mais um copinho do doce almejado. Abri a chorar e mãe, para me consolar, deu-me um cuité de queijo do reino com amostra de todos os doces do casamento, que eu levei para o porão e só comi no dia seguinte, porque caí no sono. Antônio, os nossos destinos estavam entrelaçados. Você ficou sendo o meu pajem. Todas as horas vagas em que você ia para trabalhar na horta, eu estava rente conversando e metendo o bedelho no seu trabalho. Você dava-me toda a atenção possível e eu sempre pressurosa para ficar a par de todo o seu trabalho. Até que um dia, você estava cortando uma bananeira, para fazer um canteiro no lugar. E eis que você ergue a enxada e eu passo por debaixo na hora H que ela ia descendo. Foi inevitável. Ela caiu na minha cabeça com um estrondo surdo, misturado a seus gritos, provocados pelo pavor de ter-me matado: "Matei Wanita! Matei Wanita!" Vovó, Cecília e Zezé correram angustiadas, chorando, e eu hirta, sem uma palavra e sem um movimento, a derramar sangue pela brecha. Todo mundo impressionado com o acontecido; fez-se um grande suspense. Nisto, chega a minha pajem Trindade, apavorada, que exclamou: "Coitadinha de minha filhinha Wanita!" Aí eu abri o bué e tirei todos daquela tensão. Puseram tanto açúcar na minha cabeça que até hoje eu sou doida por açúcar. Os tempos passaram. Seus filhos em idade de frequentar a universidade foram para Belo Horizonte se hospedar com a avó. E quem é que estava lá na Marília de Dirceu para lhes remendar as roupas, virar os colarinhos rotos e subir a bainha das calças? Eu... que, graças a Deus, não morri naquele dia. Sua Cunhada, Wanita |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 5 - Rhamanita Vera de Figueiredo Xavier Dados Texto da Fonte: Tio Antônio, o anfitrião Eu me vejo criança, uma criança magricela, e me vejo hoje, uma mulher de bem com a vida, porém não tão magricela, sem poder desvencilhar todo este acervo de atos e lembranças que formam a nossa vida, fazendo parte dele as recordações da figura ímpar de Tio Antônio. O turismo de minha infância não era como o das crianças de hoje: excursões com as "Tias Fulanas", Disney, aviões, parques aquáticos, etc., etc. Garanto que era tudo isto, porém muito mais emocionante, pois tinha o tempero maior que era a convivência com Tio Antônio; que me perdoem os outros tios, verdadeiros ou não, mas elegi o Tio Antônio como o "meu Tio". Às vésperas de nossa viagem para Diamantina na "Maria Fumaça", que partia às 4:45 da madrugada, já não conseguia dormir de emoção. E olha que todos os feriados, Dias Santos, férias, Carnaval, etc., lá estava na estação o Tio Antônio, sempre nos esperando, carinhosamente, providenciando não sei como, garotos que nos levavam as malas até sua casa... (quem não se recorda da minha fuga para Diamantina, no trem do "Peixe Vivo", sem a aquiescência do Sô Bejo, colocando D. Mariana e D. Nilda de cabeça quente, por motivos diferentes, é óbvio?). Descíamos a pé, conversando, brincando, na maior felicidade da vida, e ele nos recebendo com carinho, brincadeiras, demonstrando ser a nossa chegada muito bem vinda. A sua casa acolhedora, com a enorme mesa com 2 bancos dos lados, cabia além dos 13 filhos, a sobrinha e todos os outros hóspedes. Lá saboreávamos todos os quitutes feitos no fogão de lenha, destacando-se na memória gustativa o famoso mingau de fubá com queijo derretendo, que tomávamos ao desjejum. Eu me lembro dos domingos quando ficávamos na expectativa de Tio Antônio conseguir um caminhão para fazermos um pic-nic pelos arredores da cidade. Quando conseguia, lá vinha ele na boléia, com a carroceria já preparada com tábuas formando bancos para acomodar a todos. E íamos todos passar o domingo nos Cristais, na Sentinela, e outros lugares mais. Quando não havia o caminhão, íamos a pé para o Rio Grande, a Pedra Grande, a Cruz, sempre na companhia daquela família unida, que acolhia a sobrinha e prima maravilhada com aquele paraíso. Se Walt Disney tivesse conhecido estes lugares, teria proporcionado a todas as crianças um mundo fantástico de felicidade. Eu me recordo muito bem que o Tio Antônio não ficava nervoso nunca (acho que preferia comprar os seus famosos iodos...), exceção de uma noite em que acordei assustada com ele falando alto, lamuriando e dizendo: "Nilda, o que vamos fazer com o seu filho, pois ele está bêbado, eu não posso me conformar com isto, não foi este o exemplo que eu dei, o que vamos fazer..." numa agitação enorme. Mas eram coisas da juventude, ato impensado, talvez alguma dor de cotovelo (eu é que não vou dizer o nome do primo que assim procedeu, para não servir de mau exemplo para seus netos). Saía muito cedo para pescar no Jequitinhonha, e voltava à tarde com mandis, traíras, lambaris, e me contava detalhadamente como havia sido sua pescaria, as façanhas, os peixes que escapuliram do anzol, o tanto que havia andado para chegar lá, e eu menina de apartamento de BH, a tudo ouvia com a maior atenção. E a horta? Era uma horta enorme, toda cheia de frutas, verduras, flores, galinhas (acho que vem daí minha vocação para as galináceas), caixas d’águas misteriosas, águas correndo no meio de tudo, a mangueira enorme no fundo do quintal, enfim, lugares que minha imaginção supunha misteriosos, onde eu nunca tinha coragem de andar sozinha. Época de laranja, e o Tio Antônio, pacientemente, me dizia: "Ô Rama, você não quer chupar umas laranjas na horta?" e lá ia eu em sua companhia e do seu inseparável canivete, que mais parecia uma máquina de descascar laranjas, para aquele festival gastronômico, onde experimentava uma cravina, uma serra d’água, aquela Bahia, e as tangerinas, saboreando aquelas delícias, que nunca mais consegui achar, pois falta o gosto da infância e o carinho e a paciência do Tio Antônio. E as ameixas? Haviam as brancas, as amarelas e as vermelhas. Não eram assim tantos pés como as laranjeiras, mas mesmo assim o Tio Antônio sempre apanhava as maduras para nós. São recordações boas, recordações que me propiciaram os meus tios e primos. E que eu muito pouco pude retribuir. Mais tarde, já casada, recebi pouquíssimas vezes o Tio Antônio em minha casa, e ele era sempre o mesmo: brincalhão, conversado, com o seu jeito de falar manso, e se encantando com os antúrios que tínhamos em casa, sempre se preocupando em levar algumas mudas novas para plantar em seu jardim paradisíaco. Cem anos, isto é um átimo de tempo, mas suficiente para fazer desaparecer uma pessoa tão maravilhosa, que marcou profundamente a minha infância e adolescência. E estou hoje aqui para dizer o que talvez eu nunca tenha dito a ele pessoalmente: Tio Antônio, eu sempre gostei muito do Senhor. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 8 - maio/1996 - Eduardo de Miranda da Mata Machado Dados Texto da Fonte: Centenário de Nascimento de Antônio Gabriel Pereira No contexto do centenário do nascimento de Tio Antônio, registro aqui o que na minha memória ficou gravado, no período que com ele convivi. O que segue, com certeza não é original, mas é o de que me lembro. O registro mais remoto creio que é ele nos esperando na Estação de Diamantina. Com certeza ali pelo início dos anos 50. Uma grande caravana: meus pais, irmãos, tia Mariana, tia Nilda e, creio, Ninita, que estudava em BH e morava lá em casa. Era fim de ano e íamos para as férias de verão. Lá estava ele na plataforma. Ele e os primos. As malas foram entregues a um preposto, que as transportou, e a comitiva foi descendo a Avenida, dali passamos para a rua S. Francisco e ganhamos o Macau do Meio. Em pouco tempo, nós, os meninos, havíamos chegado. Aquela excitação toda, a ponto de não dar temo de completar um caso e havia outro mais importante a contar. Creio que dessa feita ficamos hospedados em casa de Dr. Júlio... Mãe-outra, como era carinhosamente tratada dona Nícia... O fato é que a figura de Antônio Avelino estava ali sempre presente, comandando e controlando a casa e seus circunstantes. Voltando dos correios, naquele passo pequeno e apressado, nos mandando ir ao corte apanhar uma carne que ele havia encomendado, e nós trazendo-a pendurada por um barbante no dedo; em casa, nos acordando cedo e cobrando as tarefas de rega e capina dos canteiros. Dele recebi meu primeiro aprendizado no trato da terra, com as hortaliças, frutíferas e com as flores. Seus canteiros à entrada da casa, com rosas, dálias, enxertos invejados por todos. O que ele conseguia com plantas era, sem dúvida, um dom divino. Na hora do café, ao tomarmos o mingau de fubá, ele nos cortava fatias de queijo tão fininhas que pareciam hóstias, colocando-as no mingau, para que derretessem e dessem aquele sabor especial. Lembro-me deste gosto até hoje. O pão do Zeca, o leite e o café. Um mais forte e o outro mais ralinho: primeira e segunda passada, ou a mineira sabença de fazer o pouco virar muito? E as curiosidades após o café? Vinha ele com histórias e com advinhas. Havia sempre alguma coisa no ar para desafiar a inteligência dos meninos. Vejo-o entrando no quartinho, junto ao galinheiro, retirando de dentro de caixas de madeira pencas de bananas madurinhas. O segredo?, ah! o segredo era o mesmo daquela misteriosa lanterna de carbureto que era sua companheira iluminada nas pescarias noturnas. A indumentária usada nas pescarias era incrível: botas, calças cáqui, com a canela justa e fofa nas coxas. Camisa de manga comprida, das de colarinho postiço, parecendo colarinho de padre, uma jaqueta cáqui, cantil. Seria um antigo uniforme militar? Vejo-o chegando carregado com suas varas, os embornais cruzando-lhe o peito, entrando pelo portãozinho lateral. Um embornal para a matula e o outro para a tralha e o retorno dos peixes. Matrinchãs, piaus, dourados, surubis, curumatás; certamente ainda existiam destes peixes no Jequitinhonha ou nos outros rios por ele frequentados. Na cintura a lamparina de carbureto e sua chama pouco convincente, mas fundamental na noite. Aí vinha com aquele história da velha que comeu a onça atrás da pedra, ou foi a onça emperdenida que comeu a velha... Levava ele nas pescarias aquele Schimidt 32, que às vezes namorávamos, entre os guardados do armário? Nunca soube de ter aquela arma disparado nenhum tiro. E os almoços, as ‘embuchadas’ no caramanchão, a sapiente capacidade de descascar uma laranja com a casca mais estreita que as descascadas pelas máquinas; os passeios ah! os passeios. Alugava-se um caminhão que transportava a tropa para a Sentinela, Cristais, Biribiri... matula para a hora de defender a pátria, refrigerantes para os meninos e cerveja para os adultos, gelados nas corredeiras de águas geladas. (Num desses passeios, experimentei pela primeira vez uma Malzbier; felizmente deixei de lado esta iniciativa). E no caminho, lá estava ele sempre auxiliando na cantoria que era entoada para distraírmos do tamanho do percurso, em elefantásticas cantigas que ainda nos amolam, ou a outras gentes? E os passeios à pé ao Rio Grande para nadarmos naquela piscina de concreto sem revestimento, onde só os maiores podiam nadar na parte mais funda. Ele o tempo todo nos vigiando e sabendo onde passar e como se livrar de espinhos e carrapichos, etc. Num desses passeios, com Lineu, Rafael, Ricardo e certamente outros, ficamos eu e o Rafael vigiando Horácio que andava caidinho pela prima do Rio, e nós a espreitá-los escondidos nas moitas (já vi uma foto desse passeio, creio que num álbum de Ninita...). Mas nem sempre eram só festas e brincadeiras. Na época da Semana Santa, na sexta-feira, não nos era permitido, nem assobiar, nem tocar as flautas de bambu que Paulinho fazia para nós. Exagero do conservadorismo da época. Aguardávamos ansiosos o romper das Aleluias no sábado ao meio-dia... Corríamos para o Ponto Chique, para ver a Banda do Sapo Seco, o Judas e o pau-de-sebo. Onde andará Paulo Soim? Os moleques que apanhavam moedas fervendo, lançadas pelos comerciantes do local. Nem a malandragem de apanhá-las com mamuchas de laranjas, livrava-os de queimaduras; e nós morrendo de inveja para participarmos daquelas brincadeiras. Os castelos que fazíamos imaginando apanhar aquela bandeira cheia de notas no algo do pau-de-sebo. E a turma subindo com os bolsos cheios de areia para facilitar a empreitada, apoiando-se uns nos ombros dos outros, naquela pirâmide hercúlea que nem sempre resultava no fim procurado. Ai de nós; a autoridade transmitida pelo simples passar por ali nos colocava no devido lugar. Tão diferente de hoje! Quantas lembranças! Aquele era um tempo bom? Mesmo com as pichações de ‘Abaixo a carestia’ e outros textos nos muros do Fórum, na descida da Rua S. Francisco?... Que mais a minha memória tem registrado sobre Tio Antônio? A contrição religiosa, com benção do Papa Pio XII num quadro da parede, o acompanhamento de procissões, envergando o hábito da irmandade... E lá ia ele e nós atrás de vela na mão, protegida por um abajur de papel. Nem esta religiosidade deu conta do Chiquinho, só de Dom Leonardo. (lembro-me de sua ordenação; meus pais foram padrinhos). E as broncas do Rafael, em suas concretas incursões movidas pelos instintos da natureza, que já se faziam presentes, pena que debaixo do mesmo teto. Creio que foi aí que o Negão começou a dar de si, faz tanto tempo. Tinha Seu Antônio uma posição especial assim como uma espécie de pai que me supria das limitações físicas do meu; fazia às vezes dele. Pelo menos nos tempos que, passando minhas férias em Diamantina, ficava hospedado em sua casa, na Travessa da Glória. Que glória! Vi-o no ocaso da vida, já sendo derrubado pela esclerose, mas com lampejos que ficavam marcados pela força antonina, para em seguida cair, absorto em sua mente. Muita saudade! |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 8 - maio/1996 - Maria Sílvia Diniz Pereira Dados Texto da Fonte: A um velho e saudoso amigo Depois de receber com grande alegria, o convite de sua ‘querida família’ em comemoração ao centenário de sua chegada a este nosso mundo, resolvi também falar de você - TIO ANTÔNIO - pois muito bem o conheci. Recordações das melhores ficaram pelos nossos inúmeros encontros no mais delicioso local, como foi a chácara das queridas e saudosas Tia Cecília, Tia Naná e Tia Cintinha, que sempre se manifestaram muito minhas amigas. Lá estava sempre com minha família (Eu, José Edmar, e meus filhos, Paulo César, Sílvia Helena, José Carlos e Marco Aurélio), deliciando-nos com o ar puro e convidativo da chácara, gozando das deliciosas e saborosas frutas oferecidas quase sempre por você - TIO ANTÔNIO, que não descuidava nunca de suas amabilidades. Recordamos sempre as boas e divertidas prosas que dávamos naquela mesa rodeada de amigos, a apreciar o delicioso cafezinho feito na hora por Estelina ou Angelina, e até mesmo por Carlotinha; era muito gostoso e vinha acompanhado por saborosos biscoitos de polvilho, feitos pelas delicadas mãos das queridas tias. Eram momentos agradáveis estar ainda ao lado de Tia Nilda, sempre muito faceira, a fazer lindos sonetos e a tirar versinho para uns e outros, em momentos de alegria nas reuniões. As crianças todas que lá se encontravam brincavam à vontade e até mesmo brigavam de vez em quando, sendo de todos os passeios que faziam, o na chácara era mesmo o predileto e que mais saudades deixaram. Recordar o que tão depressa passou é triste mas, o que fazer?... Coisas de Deus... |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 8 - maio/1996 - Laurita Mourão Dados Texto da Fonte: Fragmento de uma carta endereçada a filhos de Antônio Avelino ANTÔNIO AVELINO foi um dos meus tipos inesquecíveis: excelente esposo, excelente pai, excelente amigo, excelente funcionário, excelente filho e excelente parente. À mesa de sua residência, sentavam-se além de sua maravilhosa esposa, seus numerosos filhos, depois os que seus filhos trouxeram para o seio de sua família, incluídos aí gente como eu que ADORAVA poder privar de sua casa e de sua família. Jamais esquecerei as pescarias para onde íamos de madrugada e ele pendurava a latinha com as minhocas no botão da braguilha, que naqueles felizes anos não havia ainda "gavião" de calça de homem com feiche-éclair! O humor de ANTÔNIO era igual sempre: bom-humor e de bem com a vida. Jamais engordou, mantinha uma permanente simpatia que se irradiava em qualquer lugar onde ele estivesse. Um GRANDE HOMEM, construiu MAIOR OBRA que pode um ser humano construir: uma família organizada, cheia de moral, de dignidade, de filhos formados, de filhas mães-de-família, deixando, físico, uma ENORME SAUDADE e, com esta festa de agora, uma prova de que continua VIVO!!! Muitos carinhos a todos, da vossa, Laurita, Rio de Janeiro 23/05/1996 |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 1 - Mabel Cordini Rosa Dados Texto da Fonte: Diamantina, 11/3/96. Saí pela porta da cozinha para o quintal; tinha ido a espiar se havia algum açá. Meus olhos correram primeiro pelo céu azul, com algumas nuvens preguiçosas correndo sem rumo certo, sem saber pra que correr, lembrei-me do amigo Sr. Antônio, nosso Antônio Avelino. Eram assim os dias de que ele gostava, para estar no quintal dando vida à vida, e dando vida, enfim, às plantas e flores que agradeciam com sua beleza. Olhei ao redor, buscando um araçá - gulosa e esquecendo minha primeira lembrança - mas aí estava o companheiro, o companheiro do amigo Antônio - o inseparável companheiro de tantas lutas, de tantos segredos, e aí estava... Se ele sumia, Antônio Avelino estava perdido: "cadê seu brincalhão, onde estás?" Era assim sua total confiança, amizade e amor, chegava até a ser doentio. pois esse companheiro me fez perguntar a mem mesma "por que após tanto tempo Sr. Antônio é tão presente nas nossa vidas?, não apenas no quintal, pois inúmeras pessoas lembram de Antônio Avelino, como amigo, como guia nas serras, como pescador, como plantador de hortaliças, como floricultor, etc. mas por que será?" Bastou sair andando por Diamantina, e fulaninha lembrar: "na época das orquídeas, Antônio as colocava aqui, em exposição para todo mundo ver", e outros: "era Antônio que sabia da couve de boa qualidade", "ninguém sabia escolher tão bem um queijo, um mamão, uma penca de banana". Lembro-me ainda de chegar a Diamantina e Sr. Antônio oferecer aquela incomparável Predileta, ou Musa, ou a mistura - bom aprendiz das transfusões - das branquinhas que ele apelidara de Predilemusa, para molhar um queijinho cortado caprichosamente, ou um pratinho de torresminho picado com tanto amor! Mas, espera aí, também com esse amor, cortava as cascas de banana, de mamão, para as galinhas - penso até que foi precursos da alimentação alternativa; e o rolo de barbante dos embrulhos da padaria?; nunca cortou algum deles, todos eram desembaraçados meticulosamente, como um médico mede o fio que irá costurar alguém; e a tesoura e ferramentas?, todas com as marcas do tempo, mas todas funcionando pois ele lhes dava vida útil. Também me lembro dele quando me deparo com uma canela de ema na serra, o respeito de Antônio para tirá-la do seu meio, de suas pedras, convencendo-a de que seria de muita utilidade para amparar uma orquídea - foi o precursor também das creches das plantas. E assim, pensando em por que após tanto tempo o Sr. Antônio estava aí, foi qeu ao voltar meus olhos novamente para seu companheiro "o ferrinho"- escuro, rígido, apenas com uma voltinha para enfiar os dedos, com uma ponta mais afiada - é que entendi: Sr. Antônio era o Rei do Cotidiano, o amante de tudo que se dá a cada dia, da natureza, das coisas mais simples, das coisas simples mas que fazem felizes aos demais. Por isto, mesmo sendo depois de tanto tempo, a gente ri de alegria de lembrar do Sr. Antônio Avelino, o mestre do bom viver, de viver simples mas plenamente, dando vida à vida e fazendo funcionar o essencial... o essencial para ser feliz, no dia de todos os dias. AMÉM!!! |
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Jubilee AMDG Publishing Co. - New York Detalhes da Citação: Volume 13 - Número 11 Dados Texto da Fonte: A Brazilian Family The Pereiras of Diamantina are a family in a grand and traditional style. In Brazil the family is almost a cult. Although it has been weakened somewhat in the cities, in the rural areas and provincial towns of Brazil, the family still envelops its members with affection, security, and a warm concern that seems almost suffocating except that in practice it is usually flexible enough to allow for considerable differences in temperament and interest. The Pereira family of Diamantina, a mountain town high in the Eastern Highlands of Minas Gerais state, is typically Brazilian in its closeness but in another respect it is unusual. Senhor Antonio Pereira, the patriarch of the clan (which numbers 13 children and 27 grandchildren), worked for most of his life as a telegraph clerk. He knew he would never be able to earn enough as a public servant to leave his children an inheritance, so he saw to it that they were well educated. He was helped considerable in this undertaking by his wife, Dona Maria Nilda, who also worked, as a telegraph operator, even when the children were small. Now they are both retired and they can enjoy their family at leisure. Life has not changed much in Diamantina since Senhor Antônio’s grandfather emigrated from Portugal in the nineteenth century to seek his fortune in Diamantina’s famous diamond mines. A quiet, provincial place of 15,000 inhabitants, it has steep, cobblestone streets and narrow sidewalks, a plethora of churches, many dating from colonial times, and few luxuries. Vegetables still have to be brought in by mule pack and there is no theater or television. The town’s social life is simple and most of it revolves around family excursions and gatherings. Most of the Pereiras family live just a short distance from one another. Every Sunday they gather at the home of Senhor Antônio and Dona Nilda for dinner. Some of the younger members are restless for change and eager for a more "modern" life, but the elder Pereiras are content to preserve the good things of the past, especially the family closeness. Senhor Antônio, 69, is the head of the Pereira clan. Now retired, he spends his time raising flowers, fishing and playing cards with his sons and sons-in-law on Sunday afternoons. He also takes a keen interest in Brazilian politics. Dona Nilda Pereira now has time to enjoy her large family. One of her favorite pastimes (and one that is popular throughout Diamantina) is reciting poetry. She does little of the family cooking, but she is fond of making candy with her grandchildren when they come to visit. Dona Yolenita, one of the Pereiras’ daughters and the wife of Dr. João, is the director of the Matta Machado Elementary School. She also teaches psychology at the University of Diamantina and is the mother of seven. Dona Margarida, wife of Dr. Giovanni Pereira, a pediatrician, is considered one of Diamantina’s "society ladies." On Sunday afternoons the whole family likes to go off on a fishing expedition in the Jequitinhonha River, about 25 miles from Diamantina. Senhor Antônio is an enthusiastic angler and invariably puts up an argument when it is time to go home. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 05 - abril/1996 - Paulo de Miranda Pereira Dados Texto da Fonte: Com Antônio "Mais" Nilda Eu o vejo muitas vezes em meus sonhos. Ora ainda jovem comandando a filharada, saindo para os Correios, para a pescaria ou em uma reunião de família, ora já velho, cansado, precisando de ajuda. No início, logo após a sua morte, isto ocorria com tanta frequência que eu às vezes, no limiar do sonho e a realidade, desconfiava da verdade e despertava desapontado.Já não me desaponto mais. Da verdade sim, porque de fato ele não se foi totalmente do meio de nós. Pelo menos de seus filhos, de sua mulher e de tantos com quem conviveu e cativou.Qual de nós, ao sentir o perfume de uma rosa, ao admirar um belo e raro buquê de orquídeas, um jarro repleto de amores-perfeitos ou um simples canteiro de alface, não lhe sente a presença, não escuta os seus passos, não lhe ouve a voz?Qual de nós, vendo abrir-se a igreja do Carmo, ouvindo os sinos anunciando a novena, os "irmãos" entoando o hino do Monte Carmelo, não lhe enxerga o vulto, de hábito, sereno e contrito?Qual de nós, ao admirar um artesão habilidoso, ou o mais competente técnico agrônomo; qual de nós, vendo um belo jardim com todas as flores, ou um pomar com frutas diversas da melhor qualidade, não o vê, a partir de uma lata de banha, nas mãos calejadas um simples e rudimentar ferro de solda, um tesourão, breu e estanho, confeccionando o próprio regador?Qual de nós, dando falta das ameixeiras do Japão, que não se vêem mais; qual de nós, saboreando a melhor laranja, não o vê enxertando um pé de limão com uma, duas, e até três desses espécimes no mesmo tronco?Qual de nós, ao avistar o antigo prédio dos Correios, ao descer a rua do Asilo, alcançar o rio da Palha, a gruta de Lourdes, o Junta-Junta, o Ribeirão do Inferno ou o Desemboque, o sofrido e devastado Jequitinhonha, não o enxerga, pescador, procurando o pequeno peixe e encontrando a paz e a energia para vencer os enormes desafios que quis enfrentar na criação, educação e condução dos 13 filhos que Deus e Nilda lhes deram?Qual de nós, finalmente, ao abraçar e beijar aquela que o acompanhou e apoiou durante toda sua trajetória, que com ele dividiu as alegrias e vitórias, as angústias e as tristezas, os ônus e as responsabilidades e que resignadamente aguarda o momento de reencontrá-lo, não sente o bem perto, junto dela, nos mostrando o exemplo de vida e a força da fé, da coragem e da determinação?É por isso que eu agora já não me desponto mais ao voltar dos meus sonhos. Pois eles apenas me permitem, mais nitidamente, sentir sua presença, ver o seu vulto, ouvir sua voz. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 8 - maio/1996 - Maria Bernadete de Miranda Pereira Dados Texto da Fonte: Ah, Antônio Aqui!... Ele era seu escudo. Ela se fazia de fraca, pequeninha, despreocupada. Ele era o BRAVO, o VALENTE, o BICHO PAPÃO. Meninada a gritar, a pular em cima das camas, a jogar travesseiros. Correria pela casa, um pandemônio... Água na fervura? - Ah, Antônio aqui!... Os meninos maiores fugiam para a rua, para jogar bola na hora dos estudos. Ela entrava em campo: Ah, Antônio aqui! O joguinho acabava e a volta ao trabalho era imediata. No quintal vizinho, as goiabas... as jabuticabas quase maduras... Onde estão esses meninos? Na horta capinando? Ah, Antônio aqui!... Sua presença sempre invocada nunca podia ser esquecida... Porque ele engrossava a voz, ameaçava com castigo e couro. Todos se controlavam. Alguns choravam, outros prendiam o riso, mas a ordem se impunha. Antônio estava sempre presente... No telégrafo, na horta, na igreja com Nilda, passeando com os meninos ou na pescaria. Alguma noite (cedo) ele sumia. Ela fingia que não percebia. Era uma fugidinha rápida (uma hora, meia talvez). Mas D. Nilda estava de orelha em pé. - Meninos, já pra cama!... Antônio chegava alegre, assobiando, embrulhinhos nas mãos. - Antônio, onde você foi? - Comprar iodo, Nilda. Na farmácia de Zito, o bate papo com os amigos, os casos das pescarias, os planos para novas aventuras. Também, naqueles tempos não havia telefone!... E junto com o iodo vinham as balinhas da padaria de Zeca, para adoçar a boca de todos. |
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100 Antônio Avelino Belo Horizonte Detalhes da Citação: Número 8 - maio/1996 - Dom Leonardo de Miranda Pereira Dados Texto da Fonte: Procissão... sem andor nem santo 1948. Eu já cursava no Seminário o 1º ano ginasial, hoje 5ª série do 1º grau. Andava lá pelos 11/12 anos, metro e vinte e 35 quilos, quando subia à balança de batina! Regime severo, internato rigoroso naquela época de Seminário. Apenas umas 4 ou 5 vezes durante o ano - à exceção do período de férias, é claro - tínhamos a permissão de passar o dia com a família, o que acontecia geralmente num domingo ou dia santo. Numa dessas vezes, a família estava toda reunida: pai, mais mãe e os 13 filhos. Saímos a passear. Outra grande virtude de pai: gostava de passear pela cidade com toda família. Passeava conosco pelo prazer de passear. Passear fazia-lhe bem, como a todos nós. Hoje vejo nessa atitude de pai uma "outra face" de sua profunda religiosidade. Estar ao lado de pai nu |
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![]() Mídia | Formato: jpg Dimensão da Imagem: 400 x 520 |
![]() Mídia | Formato: jpg Dimensão da Imagem: 330 x 210 Nota: Foto retirada da revista norte-americana Jubilee, uma publicação da igreja católica mensal da AMDG Publishing Co., sediada em Nova Iorque. A revista publicou artigo sobre a família de Antônio Avelino e ilustrou com algumas fotos. |
![]() Mídia | Formato: jpg Dimensão da Imagem: 338 x 398 Nota: Senhor Antônio e Dona Nilda both belong to the Fraternity of the Third Order of Carmel. Here they stand in their robes outside the Church of Our Lady of Carmel, which was built in 1765. |
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![]() Mídia | Formato: jpg Dimensão da Imagem: 267 x 482 |
![]() Mídia | Formato: jpg Dimensão da Imagem: 200 x 241 Nota: (neta - Carolina Pereira Avelar) |
![]() Mídia | Formato: jpg Dimensão da Imagem: 522 x 400 Nota: Antônio Avelino ganhou vários concursos em exposições de orquídeas. |
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![]() Mídia | Formato: jpg Dimensão da Imagem: 328 x 236 Nota: Antônio, Cecília, Naná, Cintinha, João Avelino Pereira Júnior. |
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Família com Pais |
| Pai | |
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| Irmã | |
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Família Paterna com Ana Augusta Vieira |
| Meia-Irmã | |
| Meia-Irmã |
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Família Paterna com Fulana de Tal |
| Aparentado |
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Família Materna com Joaquim Severino de Aguiar |
| Meio Irmão | |
| Meio Irmão | |
| Meio Irmão | |
| Meia-Irmã |
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Família com Maria Nilda de Miranda Mourão |
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| Filho | |
| Filho | |
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| Filho |
Assistente de Pesquisa
Detetado Robo de Site de Pesquisa: CCBot/ http://www.commoncrawl.org/bot.html
| Não há log de pesquisa para esta pessoa. |





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